Uma História uma Vocação 4

OS PADRES NO MEIO DOS TRABALHADORES – PARTE 4
PADRES-OPERÁRIOS

Era década de 60 e estávamos em três padres. Fato marcante em nossa Igreja Católica deve-se à capacidade de pensar e ser criativos na evangelização, e com este dom os três religiosos tentaram realizar um sonho: um dos três sacerdotes iria trabalhar na fábrica, e conhecendo a realidade da massa trabalhadora, partilharia entre os Filhos da Caridade no Brasil, a vida e o suor dos que lutam para sustentar a família. Guiado por este desejo e convicção, o padre José Mahon foi contratado em 1964 (época da revolução de 31 de março) pelas “Indústrias Villares” em São Bernardo do Campo. Depois foi a vez de Pedro Jordanne trabalhar na “Nordon” (fábrica metalúrgica em Utinga – Santo André) em 1965 e 1966, e Roberto Du Lattay em 1967 era admitido na empresa “Irmãos Vassoler” na Avenida Industrial em Santo André, contudo, percebemos que era quase impossível atender bem os paroquianos, formar militantes e trabalhar em fábrica.

Em nossa equipe de religiosos chegaram os Filhos de Caridade, Bernardo Hervy e Carlos Tosar, este ordenado sacerdote em julho de 1969 e trabalhador na “ZF” (São Caetano) e “Firestone” (Santo André) por vários anos. Bernard Hervy, também padre-operário, trabalhou como torneiro mecânico, na “Vidrobras”, na “União dos refinadores”, e depois, em Santo André, passando por diversas fábricas, e ligado mais intensamente a um trabalho sindical, na época em que a classe operária do ABC sofria com a ditadura militar.

Na década de 70, chega o padre Ivo Rannou, Filho da Caridade, trabalhador da construção civil no ABC, como pedreiro, e durante vários anos acompanhou a JOC do ABC, como assistente. Outro FC que veio viver conosco era um padre que esperava o visto para entrar em Cuba, mas, sem resposta, passou alguns anos conosco. Seu nome era João Pedro Borderon e trabalhou como eletricista na Philips, até receber o visto esperado.

PARTE 5

Uma História uma Vocação 3

TERRA DE SANTA CRUZ ESCOLHIDO POR DEUS – PARTE 3
POR QUE O BRASIL FOI ESCOLHIDO?

Em 1961, um dos responsáveis da Congregação: o padre Joseph Bouchaud resolveu vir ao Brasil para estudar as possibilidades da implantação de nossa congregação religiosa. Ele chegou à Manaus no dia 29 de junho na festa de São Pedro e prosseguiu viagem: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador e, em cada lugar os padres respondiam a Joseph Bouchaud: “A sua missão só pode ser em São Paulo: é a região de grande crescimento industrial”.

Após conhecer o Rio de Janeiro, Joseph Bouchaud chega a São Paulo e marca uma entrevista em Santo André com Dom Jorge Marcos de Oliveira (primeiro bispo diocesano de Santo André). O Superior dos Filhos da Caridade explicou o motivo da visita e Dom Jorge exclamou: ”É Deus que te envia: minha diocese cresce muito, tem cada vez mais fábricas, mais famílias que vêm de todo lugar: Nordeste, Bahia, Minas e não tenho padres para atender o povo nosso que é muito religioso: venham na minha diocese que os acolherei de braços abertos: precisávamos de padres com este carisma: servir os trabalhadores”.

Ao final de julho, o padre José Bouchaud volta à França e pede a um padre que acabava de mudar de paróquia para que ele viesse ao Brasil para estudar as possibilidades e foi assim que o padre João Le Berre veio morar em Santo André, ajudando Monsenhor Cavalcante na paróquia de São Judas Tadeu. Em conversa com Dom Jorge, foi decidido que os primeiros padres que chegassem, atuariam na paróquia de Santa Terezinha no bairro de Utinga, porque o padre que atendia nesta paróquia iria voltar à Itália.

E foi assim que a Congregação mandou os dois primeiros padres: Pedro Jourdanne e José Mahon, que desembarcaram em São Paulo no dia 1º de dezembro de 1961.

Os religiosos foram acolhidos por um frei dominicano “João Batista” que tinha montado uma fábrica comunitária de móveis no bairro de Ipiranga, situada à Rua Vergueiro. Com a chegada dos religiosos franceses surge a primeira necessidade: aprender a falar português, tarefa nada fácil, mas uma religiosa idosa do colégio de Sião em São Paulo (irmã Nímia) se prontificou em ensinar a língua portuguesa aos 2 padres que chegavam.

PARTE 4

Uma História uma Vocação 2

FILHOS DA CARIDADE 50 ANOS – PARTE 2
INTRODUÇÃO

Os primeiros Filhos da Caridade fazem o noviciado e começam o seu apostolado na região de Paris. Aos poucos aparecem jovens interessados em viver este carisma e, com o passar dos anos, os Filhos da Caridade passam a assumir outras paróquias em Paris e no interior. O mundo operário começa a se organizar: sindicatos, Juventude Operária Cristã, e outros movimentos.

Em 1936, na França, a Frente Popular consegue várias vantagens: o salário mínimo, 15 dias de férias pagas por ano, mas a exploração ainda continua forte. Presentes nas lutas operárias, mas ainda mais preocupados em evangelizar, os Filhos da Caridade já passam o número de 100. A segunda guerra Mundial traz grandes dificuldades, mas também novas esperanças porque os padres, ao voltarem da guerra, percebem que a evangelização não pode continuar com o sistema antigo: os padres devem viver mais perto do povo. Assim nascem os padres-operários por volta de 1947 (a guerra terminou em 1945).
As vocações tornam-se mais numerosas: com mais de cento e cinqüenta filhos da Caridade novas paróquias estão sendo assumidas em várias regiões da França, do norte ao sul. Os anos passam e a evangelização dos pobres e trabalhadores empolga cada vez mais um bom número de jovens.

A INTERNACIONALIZAÇÃO

O mundo estava mudando e ficava cada vez mais claro que a classe operária crescia em todas as grandes cidades do mundo. Alguns se perguntam: ”Por que não atender os apelos da classe operária fora da França?” Com esta indagação, as bases da internacionalização de nossa congregação religiosa surgem. Os responsáveis de nosso Governo Geral estudam as possibilidades: na América do Norte, em terras canadenses já existem Filhos da Caridade. Então, por que não enviar religiosos em terras africanas e no contexto sul-americano? Estas argumentações ganharam força e em 1961, decide-se o envio dos primeiros religiosos ao Brasil: “Era hora de atravessarmos o oceano”, não apenas fisicamente, mas também espiritualmente.

Era o Gênese (origem) da grande aventura da “internacionalização” do Instituto. Atualmente estamos no Brasil, Colômbia, México, Cuba, Canadá, Costa de Marfim, República Popular do Congo, República Democrática do Congo, Filipinas, Espanha, Portugal e França.

Estamos presentes em doze países, cada qual com suas particularidades e nestas páginas desejamos partilhar a realidade brasileira, “O Florão da América” que nos acolhe há 50 anos. São muitas histórias, riquíssimas experiências e tudo isto aconteceu, porque dissemos sim à “Evangelização dos Pobres e Trabalhadores”.

1961-2011: 50 anos da presença dos Filhos da Caridade no Brasil: meio século, com muitas histórias: é um pouco uma “História Santa” embora teve sempre altos e baixos pois tudo o que é humano tem falhas.

PARTE 3

Uma História uma Vocação 1

FILHOS DA CARIDADE 50 ANOS – PARTE 1


APRESENTAÇÃO

Na 2ª metade do século XIX, a industrialização se espalha na Europa: aparecem as primeiras fábricas, os primeiros trens, o início do progresso. Com estas indústrias surge a necessidade de mão de obra. A classe operária está se formando, contudo a exploração dos trabalhadores é muito grande: salários baixos, horas trabalhadas cada vez mais numerosas, saúde dos operários deficiente: tuberculose, anemia, verminoses e outras. O mundo do trabalho parece um imenso rebanho de pobres escravizados. Nasce a Internacional Socialista de pensamento marxista A Igreja nunca se deparou com tal problema e fica sem ação. Qual será o futuro deste povo abandonado? Alguns cristãos começam a perceber a gravidade da situação: Albert de Mum, Frederico Ozanam: porém, são poucos. É neste contexto que um jovem sacerdote, Emílio Anizan nascido em 06 de janeiro de 1853 numa aldeia a 70 km no sul de Paris, faz a ligação entre esta situação e a atitude de Jesus diante do povo da Galileia quando Ele ficava comovido por tantas “ovelhas sem pastor”. O padre Anizan conhece muitos bairros pobres de Paris e entra em contato com este povo trabalhador: seu coração não pode aceitar tal situação: como Jesus, ele tem “compaixão deste povo” ainda mais porque a maior parte não sabe que é amado por Deus. Conhecendo os pobres de sua época e observando que muitos deles não tinham acesso aos sacramentos, por causa da conjuntura social, com os efeitos da revolução industrial (neste período, os trabalhadores tinham uma jornada diária de 14 a 16 horas de trabalho) Padre Anizan, pede para entrar nos Irmãos de São Vicente de Paulo, devido à proximidade destes religiosos com o povo simples e trabalhador. Primeiramente atuando como missionário, depois será eleito Superior Geral da Congregação dos Irmãos de São Vicente de Paulo. Com o passar dos anos, visitando estas famílias ele reúne grupos de trabalhadores. Estava preocupado com a vida deles. Em 1891 o papa Leão XIII escreve uma carta ao povo cristão (chamada do título em latim “Rerum Novarum” denunciando a triste situação dos operários. O padre Anizan aproxima-se dos mais sofridos, contudo, ele será duramente criticado pelas elites e inclusive por setores de dentro da Igreja. Padre Anizan é acusado de “modernismo social” (expressão da época que pode corresponder a nossa palavra: ”comunista”). O padre Anizan foi deposto de seu cargo de Superior Geral e proibido de exercer o seu ministério sacerdotal em Paris. Ele se oferece como capelão militar voluntário atuando no meio dos soldados em agosto de 1914 (início da 1ª guerra mundial). Dentro do coração dele surge um grande desejo: “Se tivesse padres totalmente consagrados a este povo, imitando Jesus Bom Pastor”? A idéia torna-se projeto e quando o Papa Bento XV assume a responsabilidade da Igreja Católica, padre Anizan resolve ir à Roma expor o seu sonho. Não somente o Papa aprova, mas incentiva-o e escolhe o nome da futura Congregação: “Filhos da Caridade” – “Filhos do Deus-Amor”. E assim nasce a Congregação “Filhos da Caridade” no dia de Natal de 1918, logo após o término da guerra. Surge na Igreja uma nova família religiosa consagrada à evangelização do mundo do trabalho.

PARTE 2

Revista Brasileira de História

Novas leituras para antigas lutas: representatividade e organização coletiva entre trabalhadores do ABC Paulista – 1964/1990
Antônio de Almeida
Universidade Federal de Uberlândia

RESUMO
O artigo procura mostrar como os trabalhadores da região do ABC Paulista, apesar da situação de extrema adversidade imposta pela ditadura militar, que perseguiu violentamente as lideranças e transformou as entidades representativas em meros órgãos assistencialistas, reagem a essa situação retomando a capacidade de luta e de organização coletiva. Discute também a aproximação ocorrida entre diferentes correntes da esquerda local como condição para o enfrentamento do regime militar, e chama a atenção para o fato de que as dificuldades criadas por esse mesmo regime forçaram um redimensionamento nas estratégias de intervenção social desses trabalhadores, dando origem à defesa de uma participação direta das bases nos processos decisórios e suplantando as tradicionais teses cupulistas. Conclui mostrando a importância dessas novas formulações no processo de criação e organização do PT e da CUT.
Por vezes, essas reuniões ocorriam no meio do mato, com esquemas de segurança montados para alertar os participantes em caso de algum imprevisto. Noutros momentos, elas aconteciam em lugares pouco suspeitos e os disfarces utilizados por seus integrantes eram um mecanismo para não chamar a atenção.

… vivenciadas por Padre José Mahon, um dos padres operários da região que na época …
… No Jardim Zaira, por exemplo, um dos bairros pobres da periferia de Mauá, várias mulheres dos movimentos comunitários foram presas e torturadas, permanecendo na cadeia por vários dias e, conseqüentemente, perdendo os seus empregos3.
… Uma vez eu entro numa sala da igreja e vejo uns quinze a vinte homens(…) estudando a bíblia. Eu só conhecia uns dois ou três. Depois que eu soube que eles estavam fazendo uma reunião clandestina e todos tinham a bíblia aberta porque se alguém entrasse de repente, alegariam que estavam estudando a bíblia. Eu era vigário da paróquia mas não queria saber o que estava acontecendo porque se um dia eu fosse preso e torturado eu podia falar. Agora não sabendo das coisas, tudo bem19.

Fonte: Rev. bras. Hist. vol.19 n.37 São Paulo Sept. 1999

Veleiro Cidade do Barreiro

Batismo do veleiro olímpico Cidade do Barreiro

A dupla de velejadores olímpicos

A dupla de velejadores olímpicos Álvaro Marinho e Miguel Nunes participou hoje na cerimónia de batismo do veleiro da classe 470 Cidade do Barreiro. Na presença de Marius França Pereira, amigo e patrocinador da dupla nas campanhas olímpicas para Atenas e Pequim, o veleiro foi lançado à água na doca de Belém.

Depois de um breve treino no Tejo, a dupla já preparou o barco para o transporte para Cádiz, Espanha, onde irá estagiar com algumas equipas estrangeiras em preparação para os Jogos de Londres.

O barco Cidade do Barreiro foi adquirido com financiamento da Federação Portuguesa de Vela e do Comité Olímpico de Portugal, tal como estipulado em contrato assinado com os velejadores, e foi batizado com o nome da Cidade, tal como os barcos anteriores, em honra à Câmara Municipal do Barreiro, por esta patrocinar a dupla olímpica desde o ano 2000.

Fonte: Nysse Arruda (Expresso.pt), em 03.02.2012

Carlos Oliveira, “Bóia”

O remo é um desporto aquático organizado a partir de meados doséculo XIX e desde muito cedo integrado no programa oficial dos Jogos Olímpicos. É um desporto de velocidade, praticado em barcos estreitos, nos quais os atletas se sentam sobre bancos móveis, de costas voltadas para a direcção do movimento, usando os remos para mover o barco o mais depressa possível, em geral em rios de água doce (rios, lagos, ou pistas construídas especialmente para a prática da modalidade), mas por vezes também no mar.

Pode ser praticado em diferentes categorias de barcos desde barcos para uma pessoa, duas, quatro, oito ou até mais. Cada remador pode conduzir o barco utilizando um ou dois remos dependendo do tipo de barco. Alguns barcos ainda podem ter incluída a presença de um timoneiro responsável por dar a direcção e o ritmo da remada aos atletas.

O remo é um desporto muito completo, quer do ponto de vista dos grupos musculares envolvidos (todos os grandes grupos musculares), quer do ponto de vista da demanda fisiológica que supõe. Na verdade, trata-se de um desporto de resistência-força, ou seja, um desporto que exige níveis muito elevados de força muscular e de resistência à fadiga. Assim, os remadores são, usualmente, muito fortes e bem musculados e possuem uma muito elevada capacidade aeróbica, para poderem oxigenar a grande quantidade de massa muscular utilizada no seu desporto. A combinação destas duas características confere-lhes uma capacidade física singular, senão única.

Terminologia

Os atletas

  • Proa: Atleta mais próximo da proa do barco, responsável pelo equilíbrio.Geralmente controla o leme em embarcações sem timoneiro.
  • Sota-Proa: Aquele que está imediatamente antes do Proa.
  • 1º Centro: Aquele que está imediatamente antes do Sota-Proa. Integrante da Meia nau.
  • 2º Centro: Aquele que está imediatamente antes do 1º Centro. O outro integrante da Meia nau.
  • Sota-Voga: Aquele que está imediatamente atrás do Voga, responsável pela voga do outro bordo.
  • Voga: Aquele que dá o ritmo ao barco, o que não tem ninguém à sua frente.(excepto por vezes o timoneiro, dependendo da embarcação).
  • Timoneiro: O que comanda o barco e controla o leme.
  • Meia nau: Conjunto de atletas do meio do barco.

Os tipos de barcos

PALAMENTA DUPLA (scull)  (2 remos por remador)

  • Skiff(1X): Peso=14 kg,Comprimento=8,20 m,2 remos/1 remador.
  • Double Skiff(2X): Peso=27 kg, Comprimento=10,40 m, 4 remos/2 remadores(Proa e Voga).
  • Four Skiff(4X): Peso=52 kg, Comprimento=13,40 m, 8 remos/4remadores(Proa, Sota-Proa, Sota-Voga e Voga).

PALAMENTA SIMPLES (shell)  (1 remo por remador)

  • Dois sem timoneiro(2-): Peso=27 kg, Comprimento=10,40 m, 2 remos/2remadores(Proa e Voga).
  • Dois com Timoneiro(2+): Peso=32 kg, Comprimento=10,40 m, 2 remos/2remadores e timoneiro(Proa e Voga).
  • Quatro sem timoneiro(4-): Peso=50 kg, Comprimento=13,40 m, 4 remos/4 remadores(Proa, Sota-Proa, Sota-Voga e Voga).
  • Quatro com Timoneiro(4+): Peso=51 kg, Comprimento=13,70 m, 4 remos/4 remadores e timoneiro (Proa, Sota-Proa, Sota-Voga e Voga).
  • Oito com timoneiro(8+): Peso=96 kg, Comprimento=19,90 m, 8 remos/8 remadores e timoneiro (Proa, Sota-Proa, 1º Centro, 2º Centro, Sota-Voga, Voga).

Termos usados durante a prática

  • Ataque: Quando o remo entra na água.
  • Final/Safe: Quando o remo é retirado da água.
  • Leva: Parar de remar e deixar o remo no ar permitindo ao barco continuar o seu movimento.
  • Pá de chapa/Patilhar: A pá do remo em contato com a água, em posição paralela.
  • Pega: Aumentar a força e cadência da remada.
  • Punhos a falca: Levar os punhos a falca para equilibrar o barco.
  • Cear”: Remar ao contrário, fazendo o barco andar para trás.
  • Remos no final: Posição inicial (normalmente com os remos na posição vertical)
  • Stop 1: Parar na fase da remada em que o tronco e os braços estao totalmente colocados
  • Stop 1: Parar na fase da remada em que apenas os braços estao colocados

COMPONENTES DOS BARCOS

  • Aranha
  • Falca
  • Forqueta
  • Travinca
  • Patilhão
  • Slide
  • Calhas
  • Finca pés
  • Caixa de ar
  • Quebra-mar

Remos

  • Punho
  • Tacão
  • Cana
  • Espinha

DIVERSOS

  • Bombordo: O lado direito do barco (para os remadores).
  • Boreste: O lado esquerdo do barco (para os remadores).
  • Proa: Para onde o barco se desloca.
  • Popa: De onde o barco vem. Também conhecido por ré.

MODALIDADES

Olímpicas
Actualmente existem 14 eventos de remo olímpico:
Homens: quadri-scull : 4X , double scull : 2X , skiff : 1X, oito : 8 + , quatro sem timoneiro : 4- , dois sem timoneiro : 2-
Homens Peso Ligeiro: double scull : 2X, quatro sem timoneiro : 4-
Mulheres: quadri-scull: 4X , double scull : 2X , skiff : 1X, oito : 8 + , quatro sem timoneiro : 4-
Mulheres Peso Ligeiro: double scull : 2X

REMADORES FAMOSOS
Mundiais
Ned Hanlan
Pertti Karppinen – 3 vezes campeão olímpico em skiff
Steve Redgrave
Viatcheslav Ivanov
Thomas Lange

Portugueses
Ana Gaudêncio, da Associação Naval de Lisboa
Carlos Oliveira, “Bóia”, do Grupo Desportivo Ferroviários do Barreiro
Hélder Assunção, do Grupo Desportivo Ferroviários do Barreiro
Henrique Capela Baixinho, do Sporting Clube Caminhense
Inês Cruz, do Grupo Desportivo Ferroviários do Barreiro
Rodrigo Duarte
Pedro Fraga, do Sport Clube Porto
Nuno Mendes, do Sport Clube Porto

Fontes: Wikipédia, a enciclopédia livre,
Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM).

D. MANUEL MARTINS – Parte IV

D. MANUEL MARTINS, BISPO EMÉRITO DE SETÚBAL
A Igreja transformou-se mais em empresa do que em testemunho

– Então gostou da mudança…
– Não sei. Estou a simpatizar com o advérbio. Os verbos estão quase todos por conjugar, por parte do governo. Fazer, tirar, arrumar, produzir, crescer… Os advérbios têm sido simpáticos, para mim. O modo de actuação. O Passos Coelho, que ainda não provou nada, tem um tipo de actuação interessante, com base na discrição. Oxalá seja para continuar. E que comece a pronunciar os verbos. Quanto aos ministros, gostei muito do das Finanças que fugiu a toda a teatralização do parlamento, ouviu muito e deu uma lição serena sem desrespeitar nenhum deputado. Quanto aos advérbios, estou a gostar.

Este pedaço da conversa foi o que mais se aproximou da entrevista que tinha imaginado. Ainda acrescentou que a crise por que passa o país faz-lhe lembrar uma imagem:
– Há um buraco tão grande, um tipo que cai nesse buraco e nós nem corda temos para o tirar. Esta é a imagem do país.
A partir daqui começo a ficar preocupado com as fotografias que tenho que tirar para ilustrar a entrevista. Retiro a máquina sub-repticiamente da mochila e começo a disparar à toa, com a câmara em cima dos joelhos. Ele apercebe-se, mas faz de conta. Já não presto grande atenção ao que me diz. Fala de um livro de Almeida Santos sobre a nova ordem mundial, resume-o e conclui: “Estamos num estado sem território. O grande Deus é o dinheiro. Estamos pendurados na economia.”

Lembro-me que lhe atirei mais algumas perguntas atabalhoadas no meio do ruído característico dos disparos fotográficos. A reacção do povo português, o que se passa na Grécia, o que se passou em Oslo. Recordo que a dada altura D. Manuel Martins me dizia, a propósito do desespero, que “em Setúbal, na cidade, só num dia, houve oito suicídios e foram pedidos pela honestidade”, para explicar que o povo está diferente e mais anestesiado. As manifestações já são um ritual que não molestam ninguém. Uma perda de tempo. Mas acredita no mundo novo que se está a gerar, segundo dizia João Paulo II, e que os sinais podem ser as manifestações dos jovens apartidários, que só querem dizer que não estão contentes, que isto assim não pode continuar. “Anda qualquer coisa a germinar dentro das pessoas. Temos que encontrar outra forma de protesto porque o mundo não é o mesmo.”

O clique do gravador foi a guilhotina da entrevista. D. Manuel Martins libertou-se do sofá e esticou as pernas no exíguo compartimento que lhe serve de escritório. Continuou a liderar a conversa. Aproveitei para lhe apontar a câmara fotográfica: “Pare lá com isso. Não são precisas mais fotografias.”
Trouxe-me à porta, ficou educadamente à espera que eu entrasse no carro, fizesse a manobra de inversão de marcha e iniciasse a viagem de regresso. Acenei-lhe, sorrindo, enquanto pensava:
“Malandro do bispo, deu-me cabo da entrevista…”

Fonte: V. M. Pinto (texto e fotos), data: 2011-08-05
Solidariedade, Mensário da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.

D. MANUEL MARTINS – Parte III

D. MANUEL MARTINS, BISPO EMÉRITO DE SETÚBAL
A Igreja transformou-se mais em empresa do que em testemunho

Sente-se que o perturba a missão da Igreja nos tempos modernos. Diz que o padre é um homem público que não se pertence. Pertence aos outros e, por isso, não compreende que os paroquianos não tenham o número do telemóvel do pastor. Chama-lhe pecado grave porque há doentes que precisam de cuidados religiosos fora de horas e há funerais que não escolhem dia para ocorrerem. As emergências da fé exigem disponibilidade e uma figura pública, como é o padre, não tem direito a telefone privado. No rol de desobediências à vocação confessa que lhe causa sofrimento a avareza. Que o padre enriqueça à custa do altar. D. Manuel Martins, agora, lamuria…
– Alguns, depois da ordenação, compram carro novo, constroem casas, entram na filosofia dos empréstimos. O povo percebe. O povo perdoa mais uma quebra na ordem da castidade, do celibato, de algum que tem um filho e o perfilha, que o reconhece como seu, o povo perdoa isso com mais facilidade do que a avareza. É das coisas que me dói mais, tanto a nível dos padres como da Igreja.

As mãos do bispo continuam a voar por cima da cabeça. Pigarreia para limpar a voz e deixar sair límpidas as ideias que estão encadeadas. Do papel da Igreja passa para a necessidade de Deus.
– Com as conquistas modernas está a verificar-se a chamada saudade de Deus. Deus era um recurso da nossa ignorância, mas os mestres sociólogos explicam que já estamos num tempo pós-moderno em que o homem começa a ter saudade de Deus. Procura das formas mais diversas, pode ser com o budismo, manifestações exotéricas, orientais, ou coisa parecida, mas sente a necessidade Dele. É semelhante àquilo que se define como a saudade do quintal. As pessoas estão a regressar aos campos. Muitas recuperam as casas abandonadas da família e têm saudade da panela de pernas onde se fazia a sopa e a fruta sem pesticidas.

Decidi estugar o passo para alcançar o plano de questões que tinha decidido fazer. Falei-lhe da crise para ver se concordava comigo na ideia de que o regresso às origens também é feita por causa de necessidades materiais. Falou da desumanização das cidades, que embebedam as pessoas durante um tempo, e delongou-se a explicar a teoria da saudade do quintal. Contou mais uma história sobre um rapaz que morreu no Luxemburgo e a comunidade organizou-se ainda antes da família para enviar o corpo para a terra de origem. E a história tem uma moral, como não podia deixar de ser: “até na morte queremos estar na Terra, porque até mortos, na Terra convivemos mais. É por isso que a gente diz que a terra da nossa Terra é sempre mais leve. O esquecimento é a grande morte. Não são lamechices, são estas coisas que fazem a nossa humanidade.”

O estalido do gravador funcionou como cronómetro. Já passara meia hora e dos objectivos da entrevista nem um estava cumprido. D. Manuel Martins, na combinação telefónica que fizéramos, dias antes, tinha dito, quando lhe referi o tempo que precisava, “nunca é só meia hora, pois não?”. Estava certo. Para recuperar tempo e temas atirei, um pouco de chofre, com a pergunta sobre os políticos, que nos governam, sem especificar quais. Depois de ter assumido alguma dificuldade em falar disso, D. Manuel Martins, de sorriso em riste, contou mais uma história. A do conselho que deu a uma “nossa” vizinha que fazia uma marmelada com um sabor especial que pretendia alugar uma loja ali perto. “Você devia convidar o Sócrates para provar. Ele chegava aqui e dizia que logo que nós tínhamos a melhor marmelada do mundo. Que estávamos na dianteira da Europa. Não era? Era o que nos dizia todos os dias.”

– Ele nunca desceu ao chão a comungar a sorte, a pouca sorte, a desgraçada sorte da população portuguesa. Eram sempre as grandes coisas que nos punham nos primeiros lugares. Pode ser uma questão genética. Era tão persistente, fazia tão parte dele… Era uma política mal pensada, mal realizada, com políticos que não eram competentes. Os nossos políticos, a começar pelos autarcas, estão rodeados por uma série de carraças que os sugam ou se aproveitam deles para engordar ou então não os deixam funcionar. Hoje chamar político a um tipo é o mesmo que chamar-lhe os piores nomes. Já reparou que uma pessoa para provar que é séria costuma dizer: Eu não sou político.

Parte IV

Fonte: V. M. Pinto (texto e fotos), data: 2011-08-05
Solidariedade, Mensário da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.

D. MANUEL MARTINS – Parte II

D. MANUEL MARTINS, BISPO EMÉRITO DE SETÚBAL
A Igreja transformou-se mais em empresa do que em testemunho

Era o desprestígio daqueles que, tendo saído de casa, não conseguiram vencer na vida. Toda a gente foi atingida pelo desemprego, salários atrasados, encerramentos, despedimentos sem indemnizações… aquilo foi um pavor. De facto, julgo que lá foi pior. E a reacção foi muito violenta e mais forte. Portugal está a reagir. A Igreja, os partidos políticos, grupos, há várias áreas onde essas reacções se verificam, mas lá era todo o distrito um clamor. Quem lançou o primeiro clamor mais alto, desesperado, atrevido, indignado, foi a Igreja e eu comparo esta situação com a situação actual e vejo – com muita pena, não é para enaltecer a igreja de Setúbal em relação à actual -, mas uma das coisas que me dói, é que faltam sinais. Os bispos clamam, denunciam, promovem acções, mas a mim parece-me que, apesar de tudo isto, ainda faltam os sinais.

Nós pedimos que poupem, que mudem de vida, que dêem uma parte, mas continuamos sempre com o nosso. Eu estava em pleno exercício da minha missão quando o papa João Paulo II publicou um documento notável, uma Encíclica notável em que nos pedia a nós, responsáveis da igreja, que em vez de palavras bonitas nos desfizéssemos do material, que déssemos o salto e que vendêssemos os bens que a igreja e congregações religiosas possuem, que estão cheias de bens, quintas, casas, residências paroquiais abandonadas, tanta coisa… o Santo Padre falava no ouro que temos e que não presta para nada, não tem nem valor histórico nem artístico, e que está pendurado nos santinhos, festejados a cada ano. Até parece mais uma idolatria do que um acto religioso. Aquilo tem alguma coisa a ver com a fé? Não tem. Os sinais são mais importantes do que as palavras. Como diziam os santos padres dos primeiros séculos, o dinheiro só se legitima na Igreja pelos pobres. Infelizmente, a igreja transformou-se mais em empresa do que em testemunho.

Eu seguia-lhe o pensamento sem coragem para interromper ou provocar alguma mudança de linha. De vez em quando lançava um olhar rápido ao gravador para me certificar que estava a funcionar e garantir que os gestos esvoaçantes do meu interlocutor não o abatiam do sofá onde estava pousado.
– Estou a escandalizá-lo…. – Apanhou-me desprevenido com a observação. Balbuciei um não que confirmava mais a sua suspeita do que revelava a minha delícia na conversa. Mas, mesmo que considerasse que estava a escandalizar-me não recuou.
– A Igreja é uma instituição, precisa de meios para se expandir, mas, para além do estritamente indispensável, que não tenha mais nada. Essa, julgo eu, é a vontade de Jesus Cristo: “Ide e não leveis nada convosco…”
Julguei que a pausa era o sinal para que colocasse mais uma pergunta. Saiu-me uma observação: A capacidade de dar e dar o exemplo faz sentido hoje…
É o de dar-se, responde de pronto. E contou-me uma história que começou como todas as histórias: “Uma vez quando eu era pároco de Cedofeita…” e desfiou recordações de quando D. Manuel Vieira Pinto, Bispo de Nampula, missionário do movimento Mundo Melhor, que Pio XII quis levar à Igreja inteira, esteve em missão na paróquia para a transformar numa verdadeira família de Deus, uma habilidade pastoral, com uma organização capilar, no que respeita à caridade e à partilha, atingindo toda gente. Depois da pregação houve um padre que a levou à prática e, um dia, contou que uma senhora paroquiana, de sangue azul, que estava sempre pronta para dar e participar nas campanhas, se sentiu incomodada por estar sempre a ouvir a mesma prédica. “Eu tenho dado tanto e o senhor padre continua a dizer que é preciso dar mais…”
– Sabe o que o padre respondeu? – pergunta-me D. Manuel Martins sem me deixar retorquir. – A senhora tem dado muito, mas ainda não se deu a si.
– É fácil dar esmolas, mas é difícil dar-se. – Conclui o bispo cada vez mais encafuado no sofá verde. Tento fazer dele o centro da conversa provocando-lhe um evidente desconforto. O tom de voz baixou…

– É o seu caso. Continua a dar-se?
– Bem… foi sempre o meu ADN. Agora tenho uma intervenção bem menos intensa. Falta-me o púlpito. Refugio-me mais em mim. Quando se renuncia, um dos textos a apresentar ao Santo Padre traduz o sentimento de termos andado toda a vida fora de casa. Desta idade é preciso estar dentro de casa porque há muita coisa para pôr em ordem, para arrumar e deixar entrar o oxigénio. Aceito demasiadas coisas. Tenho um cardápio dos mandamentos da velhice, para não me deixar envelhecer. Mas vou dizendo que umas das características da velhice é também dizer a tudo que sim. Aceitar tudo. Fisicamente não tenho dificuldade nenhuma, já hoje fui dar o meu passeio de bicicleta, as pessoas ficam admiradas, como é que um velhote de 84 anos não tem limitações nenhumas. Estou cansado, mas apenas mentalmente. Dissipo-me muito. Tenho necessidade de estar cá dentro. De regressar a casa…

Parte III

Fonte: V. M. Pinto (texto e fotos), data: 2011-08-05
Solidariedade, Mensário da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.