Onda da Nazaré coloca Garrett McNamara no Guiness

O norte-americano Garrett McNamara surfou uma onda de 27 metros e bateu o recorde mundial. Este Havaiano, de 44 anos, afirmou que depois de ter surfado a onda ficou com a sensação de que era “muito grande“, mas admitiu que só depois de ter sido instado por muitas pessoas, nomeadamente habitantes da Nazaré, decidiu pedir a confirmação oficial.

McNamara, começou a surfar aos 11 anos e tornou-se profissional aos 17, bateu um recorde que pertencia a Mike Parson, que em 2008 surfou uma onda de 23,47 metros. A 01 de novembro de 2011, durante o projeto ZON North Canyon Show, Garrett McNamara fez história e esta imagem correu mundo.

McNamara disse ser um privilegiado por participar neste festival. “Sinto-me abençoado por poder explorar esse fenómeno e este lugar. As ondas aqui são muito misteriosas”, em entrevista ao Diário de Leiria.

O «Canhão da Nazaré» é um desfiladeiro submarino de origem tectónica situado ao largo da costa da Nazaré. A falha na placa continental com cerca de 170 quilómetros de comprimento e cinco quilómetros de profundidade, canalizando a ondulação do Oceano Atlântico para a Praia do Norte, gera ondas gigantes  e proporciona condições únicas para os adeptos do surf mais radical.

Em 05 de maio último, foi atribuída pelos Billabong Big Wave Awards, uma espécie de óscares do surf, o prémio de Maior Onda Surfada do Ano à Praia do Norte, na Nazaré. A distinção remete-se à onda surfada por Garret McNamara em novembro do ano passado, registada em video pela equipa do surfista americano e na altura estimada em cerca de 30 metros, o equivalente a um prédio de dez andares.

Novas leituras para antigas lutas


Revista Brasileira de História – Associação Nacional de História

Novas leituras para antigas lutas: representatividade e organização coletiva entre trabalhadores do ABC Paulista – 1964/1990

RESUMO:

O artigo procura mostrar como os trabalhadores da região do ABC Paulista, apesar da situação de extrema adversidade imposta pela ditadura militar, que perseguiu violentamente as lideranças e transformou as entidades representativas em meros órgãos assistencialistas, reagem a essa situação retomando a capacidade de luta e de organização coletiva. Discute também a aproximação ocorrida entre diferentes correntes da esquerda local como condição para o enfrentamento do regime militar, e chama a atenção para o fato de que as dificuldades criadas por esse mesmo regime forçaram um redimensionamento nas estratégias de intervenção social desses trabalhadores, dando origem à defesa de uma participação direta das bases nos processos decisórios e suplantando as tradicionais teses cupulistas. Conclui mostrando a importância dessas novas formulações no processo de criação e organização do PT e da CUT.

[PDF] http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=26303713 – Rev. bras. Hist., Set 1999, vol.19, no.37, p.279-309. ISSN  >> Autor: Antônio de Almeida

Depoimento do Pe. JOSÉ MAHON – padre operário nas “Indústrias Villares” em São Bernardo do Campo. Apoiou os movimentos de esquerda e a resistência à ditadura militar no Brasil (movimentos de jovens operários e grupos de esquerda e de resistência no ABC. Foi preso sete vezes, no 1º e 6º distrito por apoiar greves de trabalhadores).
Pe. José Mahon, nasceu no dia 8-11-1926 em Roubaíx, região Nord-Pas-de-Calais, França. Em 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, mudou-se para o sul de França. Depois, para o Brasil, Portugal (Barreiro) e voltou ao Brasil em 2006. Religioso da congregação ‘Filhos da Caridade’, cujo pai lutou contra os alemães na 1ª Guerra Mundial e os irmãos lutaram contra o nazismo na 2ª Guerra Mundial.
 

PALHAIS

Palhais – “Entre a terra e o rio”

Em Palhais sente-se a história em cada recanto, nas faces, nos costumes, na forte identidade de um povo ligado à terra, ao rio e aos primeiro passos dos Descobrimentos Marítimos.
À entrada de Palhais encontra-se a igreja de traça manuelina, dedicada a Nossa Senhora da Graça, fundada segundo a tradição por Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama.

O único Monumento Nacional Classificado do Concelho do Barreiro, apresenta uma grande sala com uma capela lateral de cada lado, a modo de transepto. É uma igreja de estilo manuelino mas assinalando a transição para o renascimento, devido aos restauros aí efectuados em finais do século XVI. Os azulejos que revestem as paredes são do tipo enxaquetado, verdes e brancos. Abrem-se nesta nave única duas capelas laterais de estrutura gótica cujas abóbadas já denunciam a nova linguagem arquitectónica do conjunto do monumento. Conserva o primitivo portal manuelino,­ uma verga trilobada que é encimada por motivos fitomórficos e geométricos, tendo no centro uma pedra de armas, com insígnias heráldica.

Coração dos Descobrimentos
Ainda hoje se sente a grande azáfama do estaleiro naval do século XVI, junto ao rio Coina, do tempo em que se construíam ali os navios dos Descobrimentos. Daqui, muitas vezes já compostos, iam para Lisboa, onde eram dados os últimos retoques e depois de benzidos partiam para novas conquistas. Ainda se sentem os ecos das centenas de pessoas, de oficiais superiores e mestres a escravos, que construíam os navios e recolhiam a madeira da Mata da Machada e do Pinhal das Formas.

Palhais era local de fabrico do célebre biscoito (um pão feito com trigo, água e sal) que alimentava as campanhas marítimas. Esta memória é hoje visível na Sala Museu da Escola de Fuzileiros de Vale de Zebro , que evoca a presença de dezenas de moinhos de maré e de vento que reduziam os cereais a farinha e dos fornos cerâmicos da Mata da Machada em que eram fabricadas as malgas, os pratos, as candeias e as placas circulares para as formas do biscoito e do pão de açúcar.

Coração dos Descobrimentos, o Complexo Real de Vale de Zebro (que abrange a zona ocupada pela actual Escola de Fuzileiros Navais) tinha 27 fornos, armazéns de cereal, cais de embarque, um moinho de maré de oito moendas e um enorme pinhal.
Neste espaço existe um extraordinário museu que traça a história dos fuzileiros e da Marinha, em que pode descobrir a parte da sua história, das fardas ao armamento, desde a época em que integravam o Terço da Armada Real, em que a principal missão era proteger as naus que entravam no Tejo carregadas de ouro e especiarias ameaçadas pelos piratas, ao tempo em que na Brigada Real da Marinha, protegiam a rainha D. Maria I até ao diversificado papel nas múltiplas campanhas militares portuguesas.

A natureza a preservar
A par da magnífica Mata da Machada , na freguesia de Palhais pode usufruir de um paraíso natural, quase secreto e desconhecido pela grande maioria. O sapal do rio Coina que abraça o estuário do Tejo é, desde sempre, um local eleito por aves e peixes para reprodução e berçário. O encerramento das indústrias mais poluentes permitiu que muitas espécies que se julgavam desaparecidas para sempre voltassem a procurar o Sapal de Coina para se reproduzirem. Simultaneamente voltaram as aves aquáticas que constituem um espectáculo ao deambular entre as ilhotas, moinhos de maré e carcaças de barcos tradicionais.

Uma “aldeia” na cidade
O desenvolvimento da freguesia de Palhais tem sido muito equilibrado, numa harmonia entre a vida comunitária, e da forte identidade do seu núcleo e uma expansão urbana sustentada que reafirma a tranquilidade e a forma de estar muito própria que caracteriza a população de Palhais, há muitas centenas de anos.

Fonte: Sítio da Junta de Freguesia de Palhais

Igreja de N.ª Sra. da Graça

Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, renascentista. Igreja de planta longitudinal de nave única, com estrutura gótica nas capelas laterais, cujas abóbadas denunciam a nova linguagem arquitectónica do resto do monumento. Igreja de transição para o renascimento nos restauros do final do séc. 16 e nos silhares de azulejos de enxaquetado verde e branco. Aspecto escultural da arquitectura do manuelino dado na decoração da cantaria. Segue, de forma genérica, o esquema adoptado em outras igrejas pertencentes à Ordem de Santiago.

Igreja de Nossa Senhora da Graça

Igreja dos sécs. XVI a XX. Foi erigida pelos moradores do lugar de Palhais pertencia à Ordem Militar de Santiago. Obra atribuída ao arquitecto/canteiro Afonso Pires.

Com estilo Manuelino, possui uma única nave rectangular, paredes de alvenaria e revestimento de azulejos enxaquetados verdes e brancos do séc. XVI. Apresenta duas capelas funerárias quinhentistas laterais, do lado Norte a Capela do Espírito Santo e do lado Sul a Capela de S. Miguel.

No séc. XVI sofreu obras de ampliação sendo construídos o baptistério e a sacristia. Ostenta um Portal Manuelino que foi classificado como Monumento Nacional em 1922.

Portal - Monumento Nacional

O Portal apresenta uma ornamentação com elementos vegetalistas e escudete com albarrada, símbolo da Consagração à Virgem da Graça.
Foi encerrada ao culto em 1910 reabrindo após restauro em 1959.

Intervenção Realizada

1950 / 1959 – obras gerais de restauro; CMBarreiro, JFPalhais, Paróquia de Palhais:
1998 – obras de restauro, com arranjo do telhado da sacristia, para obviar a infiltração de água das chuvas, havendo dificuldade no fornecimento de telhas iguais às primitivas.

Para saber mais, clique em Descrição

Fonte: Albertina Belo, 1988  no sítio www.monumentos.pt

Antiga Igreja de Palhais

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA
Portugal, Setúbal, Barreiro, Palhais

Categoria: Monumento

DESCRIÇÃO:
Planta longitudinal, simples, regular, coincidência exterior – interior, com as capelas laterais e a torre adossadas. Massas dispostas na horizontal, ainda que os vãos abertos nas fachadas e a torre imprimam verticalidade à fachada principal. Cobertura diferenciada em telhados de 1, 2, 3, e 4 águas, e em domo de planta quadrangular. Fachada principal orientada a O. de 1 pano entre pilastras, rasgada por portal sobrepujado por janelão gradeado, moldurado, com verga de arco abatido e ladeado por cruz de sagração, embutida no revestimento parietal. Remate em empena de frontão de lanços segmentares, com cornija bem marcada, com cruz no topo. Pórtico da igreja de vão rectangular delimitado por colunas embebidas, simples, de fuste liso, com capitéis e bases lavradas, com ornamentação vegetalista e artificiosa, onde assenta a verga trilobada, chanfrada, de corte singelo. Os arcos prolongam-se, exteriormente, em 3 grinaldas, terminando com motivos naturalistas. No meio do lintel da arcaria, um escudete decorativo, representando uma albarrada com flores *3. Adossada ao frontispício, torre com cunhais de alvenaria, com pequena abertura de iluminação em cada pano, com campanário de 4 vãos moldurados, de arco pleno, de dois pisos marcados por moldura continuada. As restantes fachadas com exiguidade de aberturas, são rematadas à face por empenas simples e beiral de telhados diversos. Fachada a N. com panos descontínuos que correspondem aos volumes adossados; acede-se a pequeno vestíbulo por arco pleno com portão gradeado de ferro, e à igreja pelo seu portal de verga ondulada simples, de pedra talhada grosseiramente. Fachada S. quase idêntica à N. sem portal. Os 2 panos da fachada posterior são cegos. INTERIOR: espaço único e iluminação dada pelos vãos já descritos; nave com revestimento de silhares de azulejos do tipo enxaquetado, verdes e brancos, vendo-se, em ambas os flancos, pequenas cruzes embutidas no revestimento parietal. No flanco esquerdo, púlpito sextavado, adossado à parede, com encosto de madeira, com escada interior *2; portal manuelino de verga ondeada simples. Anexas ao corpo da igreja, transversalmente, 2 capelas laterais, profundas, a do flanco esquerdo com arco de colunas simples, com capitéis e bases lavrados; paredes de alvenaria, com silhares de azulejos, janela com vidraça e altar azulejado, chão lajeado com pedra de lioz, com uma imagem de vulto em madeira, de Santa Marta; a do flanco direito, com arco pleno simples, de alvenaria. Ambas com abóbadas de cruzaria, com nervuras saindo de mísulas de arranque, trabalhadas e firmadas por bocetes de motivos fitomórficos. Não há separação entre nave e capela-mor. Altar-mor com azulejos. À entrada, à esquerda, abre-se o baptistério em arco pleno simples, com pia baptismal em pedra, poligonada. Coro-alto em madeira. Tecto de madeira de perfil trapezoidal. Sacristia revestida a azulejos, com lavatório lavrado.
Acessos: Lg. de Paulo da Gama
Protecção: MN, Dec. nº 8 252, DG 138 de 10 Julho 1922, ZEP, DG 60 de 12 Março 1958 (Pórtico da antiga Igreja de Palhais) *1
Grau: 2
Enquadramento: Urbano, em planície, isolado, numa praça, separado dos arruamentos por passeio, com jardim junto à ilharga direita.

DESCRIÇÃO COMPLEMENTAR:
Utilização Inicial
Cultual e devocional: igreja
Utilização Actual
Cultual e devocional: igreja
Propriedade
Privada: Igreja Católica / Pública: estatal (pórtico)
Afectação
IPPAR, DL 106F/92 de 01 Junho (pórtico)
Época Construção
Séc. 15 / 16
Arquitecto / Construtor / Autor
Afonso Pires, canteiro e arquitecto *4
Cronologia
1497 – fundação; *5; 1531 / 1534 – primeira ampliação do edifício, provavelmente na sequência dos danos causados pelo terramoto de 1531; elevação das paredes da igreja e acrescento ao corpo da igreja do baptistério e da sacristia; 1523 – referência ao azulejamento do altar-mor; 1530 / 1540 – neste período foram embutidas pequenas cruzes de sagração no revestimento parietal exterior, ladeando o pórtico principal e, interiormente, nas paredes N. e S. da nave; 1538, a partir de – novas ampliações; 1553 – Visitação que descreve, em pormenor, as obras já concluídas: construção de 2 capelas funerárias e o coro; 1553 – estava a ser pintado um retábulo de madeira, desarmado do seu encaixe; inscrito numa lápide, com as insígnias da Ordem de Santiago (um hábito de monge) que sobrepujava o portal, demonstrativo da jurisdição daquela Ordem; construção de duas capelas que se pode atribuir, com poucas reservas ao arquitecto Afonso Pires; séc. 18 – provavel feitura do lavabo da sacristia; 1700 – obras no átrio que dá acesso à torre sineira, tendo sido encontrada uma imagem de Nossa Senhora, em calcário ; 1755 – terramoto provoca alguma ruína no edifício; 1758, 23 de Março – documento referenciando quatro altares e duas naves na igreja; séc. 20, início – a igreja encontra-se abandonada; 1911 – a igreja passa à posse do Estado, sendo vendidos todos os paramentos e mais valores que nela existiam; 1916, 29 de Maio – pelo Decreto nº 2410 o templo foi oferecido em arrendamento à Câmara Municipal do Barreiro, a fim de ali se estabelecer uma escola oficial do ensino primário, competendo à Câmara custear as despesas com as obras de adaptação do edifício, assegurar a sua conservação, fazer seguro contra incêndios e comprometer-se a não alterar, entre outras aspectos da sua traça, o pórtico manuelino da igreja e os respectivos batentes de madeira; 1917 – a Câmara manda executar o projecto de escola, mas esta não se fez por falta de verba, pelo que a igreja permaneceu ao abandono; 1932 – a Comissão Administrativa da Câmara, a instâncias da Junta de Freguesia de Palhais, solicitou a cedência provisória das ruínas da igreja, para escola primária, mas a DGEMN reconheceu que era de interesse o restauro da igreja; 1934 – a igreja continuava em ruínas e o seu interior devassado; 1944 – diligências do pároco Abílio da Silva Mendes levaram as ruínas da igreja, com o pórtico manuelino quase intacto, para a posse do Patriarcado de Lisboa; 1950 / 1959 – restauro do templo e abertura ao público.
Características Particulares
O pórtico manuelino de exuberante decoração.
Dados Técnicos
Paredes autoportantes ( templo ) / Estrutura autónoma ( capelas )
Materiais
Alvenaria mista de pedra, barro e cal, cantaria, madeira, telha.
Bibliografia
PAIS, Armando da Silva, O Barreiro Antigo e Moderno – As outras Terras do Barreiro, Barreiro,1963; LEAL, Ana de Sousa, A Igreja de Nossa Senhora da Graça – Na História de Palhais, 1992; DUARTE, Ana, Igrejas e Capelas da Costa Azul, Setúbal, s. d..
Documentação Gráfica
DGEMN: DSID
Documentação Fotográfica
DGEMN: DSID
Documentação Administrativa
IANTT: Convento de Santiago, B50-171, Visitação da Ermida de Nossa Senhora da Graça do Lugar de Palhais; Provimento da Igreja de Nossa Senhora da Graça do lugar de Palhais, 1535, B50, fls. 129, 181.
Intervenção Realizada
1950 / 1959 – obras gerais de restauro; CMBarreiro, JFPalhais, Paróquia de Palhais: 1998 – obras de restauro, com arranjo do telhado da sacristia, para obviar a infiltração de água das chuvas, havendo dificuldade no fornecimento de telhas iguais às primitivas.
Observações
*1 – classificado apenas o Pórtico da antiga Igreja de Palhais; *2 – Está colocado do lado oposto ao que ocupou primitivamente, sem que se saiba o motivo da troca; *3 – O seu significado dever-se-á prender com o simbolismo mariano, representando uma indicação da consagração do templo à Virgem; *4 – O trabalho de cantaria que aqui aparece é idêntico ao que é dado ver no arco da entrada da capela funerária interior, a do Espírito Santo, do lado do Evangelho (de Garcia Homem) cuja traça é atribuída, com poucas reservas, a Francisco Pires (LEAL, 1992), o que pode revelar terem ambos os trabalhos saídos da mesma mão; *5 – A fundação atribuída a Paulo da Gama (falecido em 1499), irmão de Vasco da Gama, que faz parte do imaginário barreirense, não está historicamente confirmada; foi afirmada (SILVA, 1963), mas sem que o autor tivesse mencionado a fonte histórica, devendo querer referir-se, provavelmente ao extinto Convento de Palhais (LEAL, 1992); teria sido erguida devido, unicamente à vontade dos moradores do lugar, e não à de um patrono fundador (IANTT, Convento de Santiago, B50-17); *6 – Tal como a maioria das igrejas espatárias a população local ter-se-ia colectado para a edificar, sabendo-se que foi referenciada uma única excepção, nas freguesias que formam actualmente o concelho do Barreiro (ainda que não tenha sido identificada).
Autora e Data: Albertina Belo 1998.

Por: Albertina Belo, 1998 – no sítio www.monumentos.pt

Sapal do Rio Coina

O Sapal é uma zona húmida e lodosa, que alaga temporariamente com a subida das marés. As plantas que aqui se encontram, como o junco-marítimo, o caniço, o limónio ou a morraça, estão adaptadas a estas condições, apresentando resistência às inundações e tolerância ao sal.
O SapalAs suas águas pouco movimentadas, ricas em nutrientes, funcionam como viveiro natural. São locais de grande variedade biológica muito procuradas para alimentação e reprodução de várias espécies aquáticas. A generalidade das aves que aqui nidifica, como os flamingos, alfaiates ou garças, apresenta pernas altas e bicos longos com que procuram alimento no lodo. Para os peixes, o sapal é eleito como local de desova, assemelhando-se a um “berçário” nas primeiras fases do seu ciclo de vida.Flamingos no SapalAdicionalmente, o sapal apresenta um importante valor natural, desempenhando diferentes funções do ponto de vista ecológico e de protecção do ambiente, contribuindo para a depuração de águas residuais e escorrências superficiais e funcionando como barreira de protecção contra as marés.

Mata Nacional da Machada

Designa-se hoje Mata Nacional da Machada, a propriedade constituída pelo antigo Pinhal de Vale de Zebro e pela Quinta da Machada.
A Quinta da Machada pertencia ao “Convento de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo”, porém quando foram extintas as Ordens Religiosas em 1834, foi adquirida por um particular, sendo mais tarde aforada ao Estado que a anexou ao Pinhal de Vale de Zebro.

Pinhal da Machada

A Mata Nacional da Machada, situada na freguesia de Palhais, possui uma área total de 387 hectares, sendo a única área florestal de razoável dimensão no concelho do Barreiro, ocupando cerca de 10% da sua área total.
O Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional da Machada incide apenas nos 237 hectares que se encontram sob gestão da Autoridade Florestal Nacional, no entanto, a Câmara Municipal do Barreiro colabora activamente com intervenções na Mata, para além de acções de limpeza e reparação de infraestruturas.
A propriedade está inserida no PROF AML, na Sub-região homogénea da Península de Setúbal, tendo como funções dos espaços florestais, por ordem de prioridades, hierarquizadas em:
1.ª – Recreio, enquadramento e estética da paisagem;
2.ª – Silvopastoricia, caça e pesca nas águas interiores;
3.ª – Produção.

Localizada entre as freguesias de Palhais, Coina e Santo António da Charneca, é considerada o “Pulmão da Cidade” e constitui um local privilegiado para actividades de recreio e lazer, dispondo de um parque de merendas, fontanários, uma estação arqueológica, e a partir de 2005, um Centro de Educação Ambiental (protocolo CMB – DRARO de JUN2004), uma rede de caminhos florestais em terra e de aceiros e uma excelente vista sobre o Sapal, Tejo e Lisboa.

A Mata apresenta como espécies arbóreas dominantes: o pinheiro-bravo e sobreiro, existindo ainda núcleos de eucaliptos, pinheiro manso, salgueiros e acácias. Ao nível arbustivo e herbáceo registam-se o medronheiro, as urzes ou a murta e ainda outras espécies protegidas, como o tomilho rosa e o tomilho branco.
Os diversos tipos de ocupação do solo, formações vegetais e topografia, constituem um habitat para numerosas espécies animais. É relevante a avifauna associada ao sobreiral e ao pinhal, as aves de rapina, especialmente nocturnas, e os mamíferos como o saca-rabos, o coelho bravo e a raposa.
A Mata apresenta ainda uma zona confinante com o Sapal do Rio Coina, dispondo de uma frente ribeirinha com cerca de 500 metros onde também se pode observar a avifauna limícola e migratória.

Curiosidade:
1863 – O Mestre, Bernardino Barros Gomeso primeiro apóstolo da exploração técnica da floresta”, também esteve nas Matas de Vale do Zebro e da Machada, e em 1864 apresentou o primeiro projecto de ordenamento florestal elaborado em Portugal, só mais tarde concebeu a planta cadastral do Pinhal de Leiria, tendo sido ainda responsável pelo seu estudo e ordenamento. Depois de se colocar sobre a direcção espiritual do Superior de S. Luís dos Franceses (em 1876), apresentou a divisão de Portugal em 12 regiões pelas quais distribuiu os 26 concelhos do continente.

Fonte: Autoridade Florestal Nacional

Igreja Católica e Estado

Igreja Católica e Estado. Leigos e Sacerdotes diante do golpe de 1964.

Através da pesquisa de mestrado intitulada “A Ação Social Católica e a Luta Operária: a experiência dos jovens operários católicos em Santo André (1954-1964)” analisei as relações que os militantes da Juventude Operária Católica (JOC) estabeleceram com a hierarquia da Igreja Católica do ABC (SP), ao qual estavam submetidos, e com as outras organizações da classe operária com as quais se relacionavam …

Maria Blassioli Moraes
Pós-graduanda DH – FFLCH/USP

O depoimento do padre operário francês José Mahon (11), membro do Instituto Filhos da Caridade, demonstrou que não apoiou a realização do movimento militar e, segundo este, já durante o governo do Marechal Humberto Castelo Branco observaram a recessão que decaiu sobre os trabalhadores.
… houve então a ditadura militar, no começo, é como agora, no começo achavam que podia ser bom, vamos ver, vamos deixar passar um tempo, teve aquela campanha ouro para o bem do Brasil, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ai muita gente, eu, pessoalmente, quando vi esta revolução militar de 31 de março, eu já fui contra na primeira hora, nunca acreditei que podia dar alguma coisa boa para o Brasil, mas muita gente deu chance a revolução, ao Castelo Branco e veio em 65 uma onda de desemprego muito grande e D. Jorge fez uma carta aberta a Castelo Branco que foi publicada nos jornais daquela época, onde ele tomava parte claramente contra toda esta política dos militares, tanto a Ação Católica Operária, como JOC tiveram vários padres que começaram a se manifestar a favor do povo sofrido e contra essa revolução que suprime o direito de greve, que dava o arrocho salarial, ai veio as condições de moradia, ninguém mais podia comprar um terreno e pagar um aluguél, a não ser realmente que seja um bom profissional e teve vários manifestos, vários panfletos distribuídos escondidos para manifestar que a Igreja não se conformava com essa situação e essa atitude política do governo militar que estava tomando conta do país e naquela época também, em 64, nós resolvemos tentar uma experiência de trabalho em fábrica com os operários, nós estávamos em três porque chegou mais um depois, o Padre Roberto, e nós três fomos trabalhar em fábrica, então nós íamos trabalhar e eu fui o primeiro, eu trabalhei de fresador na Villares, indústrias Villares, na Senador Vergueiro, em São Bernardo do Campo, e trabalhei em 64 e foi muito positivo porque os operários estranhavam a presença de um padre, mas gostavam e depois tinham muita liberdade comigo e, inicialmente, trabalhava só à noite, trabalhava das 21:15 às 6:30 da manhã, então eu fiquei, trabalhava à noite e dormia de dia. (12)
Padre Mahon destacou importantes movimentos organizados por setores conservadores da Igreja, como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que foram responsáveis por disseminar a percepção de que toda a Igreja brasileira estava a favor do movimento militar. Entretanto, em seguida ressaltou sua posição contrária ao golpe e afirmou que o próprio Bispo, autoridade máxima na Igreja do ABC, não tardou em declarar publicamente suas críticas ao novo governo. O Padre justificou sua oposição em decorrência da situação econômica enfrentada pela população da região do ABC.

Fonte: Maria Blassioli Moraes, em Leigos e sacerdotes…

A ASC e a Luta Operária

A Ação Social Católica e a Luta Operária:
a experiência dos jovens operários católicos em Santo André
(1954-1964)

Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção de grau de Mestre em História, Curso de Pós-Graduação em História Social, Universidade de São Paulo.

Orientador: Prof. Dr. Augustin Wernet

São Paulo 2003
Maria Blassioli Moraes
Pós-graduanda DH – FFLCH/USP

[PDF] Maria Blassioli Moraes A Ação Social Católica e a Luta Operária: a …
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-19102004…/tde1.pdf
Formato do ficheiro: PDF/Adobe Acrobat
Procuramos analisar e discutir a prática de ação e de luta de um grupo de …… O padre operário francês, José Mahon, que chegou ao Brasil no ano de 1961, …

 

Uma História uma Vocação 5

PADRE ALFREDINHO SINAL DA CARIDADE DE DEUS – PARTE 5
O PADRE ALFREDINHO

Em 1968 chegou do Canadá o padre Alfredinho, religioso Filho da Caridade e trazia em sua bagagem a vontade de viver no meio dos mais pobres. Ele pensava em residir na favela dos alagados em Salvador (Bahia), mas o arcebispo não concordou, e mudando de ares, ele foi aprender a língua portuguesa em Crateús onde dom Fragoso, bispo diocesano, o acolheu. Passado alguns meses, a amizade com Dom Fragoso se intensificou, a ponto do padre Alfredinho resolver ficar em Crateús.

Fredy Kunz (padre Alfredinho) realizou um trabalho apostólico muito profundo nos bairros mais pobres, no meio da prostituição, nas frentes de trabalho, e enfrentou as críticas dos militares naquela época de repressão. O religioso conseguiu que o povo de Crateús fosse acolher com carinho os grupos de camponeses que, deixando as suas terras por causa da seca, vinham à cidade com a intenção de saquear os supermercados: estas pessoas necessitadas foram acolhidas nas casas do povoado como verdadeiros irmãos. As famílias abriam as suas portas aos famintos e surgia o PAF (Porta Aberta aos Famintos). Padre Alfredinho criou na Barra do Vento um centro de retiros, foi chamado para animar retiros de sacerdotes e religiosas, tinha um jeito de viver tão simples e evangélico que se tornou uma figura muito conhecida no Brasil. Fundou a Irmandade do Servo Sofredor (ISSO) que se espalhou em muitos estados do Brasil e muitos países do mundo. Em 1989 veio para Santo André, viveu no meio dos pobres em baixo de viadutos e na favela Lamartine, situada na região da paróquia São Geraldo. Nesta favela, ele animou a comunidade Nossa Senhora Aparecida, no coração da favela. Como todo ser humano, a idade comprometia a sua saúde, mesmo alimentando-se bem (arroz, feijão, sopa, legumes, chá, café, suco natural). A sua saúde estava muito precária e, após uma longa doença, faleceu em Santo André no dia 11 de agosto de 2000. Padre Alfredinho escreveu vários livros, entre eles o mais conhecido: “A burrinha de Balaão” e a vida dele foi biografada por Michel Bavarel, e dentre muitos testemunhos de vida não podemos esquecer a sua resistência contra grupos capitalistas que se enriquecem, vendendo produtos nocivos à saúde de nossa população (por exemplo, padre Alfredinho não tomava qualquer refrigerante fabricado pela multinacional Coca Cola).

Padre Alfredinho e todos que estiveram e atuam na Irmandade do Servo sofredor escreveram e escrevem uma bonita história, marcada pela espiritualidade do Servo Sofredor (Is. 42ss), o grupo dos sete, os encontros e retiros, e como diz a dona Ricarda “Eu quero ser o que sou, nada mais daquilo que sou”. Nós continuamos seguindo com nosso carisma, mas que fique registrado: “Os exemplos de santidade acontecem em nossas periferias”.

CONCLUSÃO

É difícil concluir porque a caminhada continua: 50 anos é pouco, pensando que a nossa igreja já tem mais de 2.000 anos! Mas nosso desejo é ser fiel ao carisma de nosso fundador o padre Anizan: ”Olhando o povo, Jesus viu tantas ovelhas sem pastor e teve compaixão.”

O mundo operário evoluiu nestes 50 anos: profissionais altamente qualificados, outros trabalhando em firmas terceirizadas com pouca garantia para o futuro, cresce o número dos que vivem na rua, o número de jovens que caem nas drogas aumenta sensivelmente, separações nas famílias prejudicam a educação das crianças, a degradação do meio ambiente…

Diante de novos problemas devemos encontrar novas respostas. Por isso tentamos ser criativos, e somos guiados pelo Espírito Santo, Dom de Deus. O campo é grande, o trabalho apostólico nunca vai faltar e por isso:

“Ó DEUS DAÍ À VOSSA IGREJA SANTOS PASTORES
PARA QUE OS POBRES CONHEÇAM O VOSSO AMOR”.
“Peçamos ao dono da messe
que mande operários para a sua messe.”

Fonte: Livreto comemorativo dos 50 Anos dos Filhos da Caridade no Brasil