PALHAIS

Palhais – “Entre a terra e o rio”

Em Palhais sente-se a história em cada recanto, nas faces, nos costumes, na forte identidade de um povo ligado à terra, ao rio e aos primeiro passos dos Descobrimentos Marítimos.
À entrada de Palhais encontra-se a igreja de traça manuelina, dedicada a Nossa Senhora da Graça, fundada segundo a tradição por Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama.

O único Monumento Nacional Classificado do Concelho do Barreiro, apresenta uma grande sala com uma capela lateral de cada lado, a modo de transepto. É uma igreja de estilo manuelino mas assinalando a transição para o renascimento, devido aos restauros aí efectuados em finais do século XVI. Os azulejos que revestem as paredes são do tipo enxaquetado, verdes e brancos. Abrem-se nesta nave única duas capelas laterais de estrutura gótica cujas abóbadas já denunciam a nova linguagem arquitectónica do conjunto do monumento. Conserva o primitivo portal manuelino,­ uma verga trilobada que é encimada por motivos fitomórficos e geométricos, tendo no centro uma pedra de armas, com insígnias heráldica.

Coração dos Descobrimentos
Ainda hoje se sente a grande azáfama do estaleiro naval do século XVI, junto ao rio Coina, do tempo em que se construíam ali os navios dos Descobrimentos. Daqui, muitas vezes já compostos, iam para Lisboa, onde eram dados os últimos retoques e depois de benzidos partiam para novas conquistas. Ainda se sentem os ecos das centenas de pessoas, de oficiais superiores e mestres a escravos, que construíam os navios e recolhiam a madeira da Mata da Machada e do Pinhal das Formas.

Palhais era local de fabrico do célebre biscoito (um pão feito com trigo, água e sal) que alimentava as campanhas marítimas. Esta memória é hoje visível na Sala Museu da Escola de Fuzileiros de Vale de Zebro , que evoca a presença de dezenas de moinhos de maré e de vento que reduziam os cereais a farinha e dos fornos cerâmicos da Mata da Machada em que eram fabricadas as malgas, os pratos, as candeias e as placas circulares para as formas do biscoito e do pão de açúcar.

Coração dos Descobrimentos, o Complexo Real de Vale de Zebro (que abrange a zona ocupada pela actual Escola de Fuzileiros Navais) tinha 27 fornos, armazéns de cereal, cais de embarque, um moinho de maré de oito moendas e um enorme pinhal.
Neste espaço existe um extraordinário museu que traça a história dos fuzileiros e da Marinha, em que pode descobrir a parte da sua história, das fardas ao armamento, desde a época em que integravam o Terço da Armada Real, em que a principal missão era proteger as naus que entravam no Tejo carregadas de ouro e especiarias ameaçadas pelos piratas, ao tempo em que na Brigada Real da Marinha, protegiam a rainha D. Maria I até ao diversificado papel nas múltiplas campanhas militares portuguesas.

A natureza a preservar
A par da magnífica Mata da Machada , na freguesia de Palhais pode usufruir de um paraíso natural, quase secreto e desconhecido pela grande maioria. O sapal do rio Coina que abraça o estuário do Tejo é, desde sempre, um local eleito por aves e peixes para reprodução e berçário. O encerramento das indústrias mais poluentes permitiu que muitas espécies que se julgavam desaparecidas para sempre voltassem a procurar o Sapal de Coina para se reproduzirem. Simultaneamente voltaram as aves aquáticas que constituem um espectáculo ao deambular entre as ilhotas, moinhos de maré e carcaças de barcos tradicionais.

Uma “aldeia” na cidade
O desenvolvimento da freguesia de Palhais tem sido muito equilibrado, numa harmonia entre a vida comunitária, e da forte identidade do seu núcleo e uma expansão urbana sustentada que reafirma a tranquilidade e a forma de estar muito própria que caracteriza a população de Palhais, há muitas centenas de anos.

Fonte: Sítio da Junta de Freguesia de Palhais

Igreja de N.ª Sra. da Graça

Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, renascentista. Igreja de planta longitudinal de nave única, com estrutura gótica nas capelas laterais, cujas abóbadas denunciam a nova linguagem arquitectónica do resto do monumento. Igreja de transição para o renascimento nos restauros do final do séc. 16 e nos silhares de azulejos de enxaquetado verde e branco. Aspecto escultural da arquitectura do manuelino dado na decoração da cantaria. Segue, de forma genérica, o esquema adoptado em outras igrejas pertencentes à Ordem de Santiago.

Igreja de Nossa Senhora da Graça

Igreja dos sécs. XVI a XX. Foi erigida pelos moradores do lugar de Palhais pertencia à Ordem Militar de Santiago. Obra atribuída ao arquitecto/canteiro Afonso Pires.

Com estilo Manuelino, possui uma única nave rectangular, paredes de alvenaria e revestimento de azulejos enxaquetados verdes e brancos do séc. XVI. Apresenta duas capelas funerárias quinhentistas laterais, do lado Norte a Capela do Espírito Santo e do lado Sul a Capela de S. Miguel.

No séc. XVI sofreu obras de ampliação sendo construídos o baptistério e a sacristia. Ostenta um Portal Manuelino que foi classificado como Monumento Nacional em 1922.

Portal - Monumento Nacional

O Portal apresenta uma ornamentação com elementos vegetalistas e escudete com albarrada, símbolo da Consagração à Virgem da Graça.
Foi encerrada ao culto em 1910 reabrindo após restauro em 1959.

Intervenção Realizada

1950 / 1959 – obras gerais de restauro; CMBarreiro, JFPalhais, Paróquia de Palhais:
1998 – obras de restauro, com arranjo do telhado da sacristia, para obviar a infiltração de água das chuvas, havendo dificuldade no fornecimento de telhas iguais às primitivas.

Para saber mais, clique em Descrição

Fonte: Albertina Belo, 1988  no sítio www.monumentos.pt

Antiga Igreja de Palhais

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA
Portugal, Setúbal, Barreiro, Palhais

Categoria: Monumento

DESCRIÇÃO:
Planta longitudinal, simples, regular, coincidência exterior – interior, com as capelas laterais e a torre adossadas. Massas dispostas na horizontal, ainda que os vãos abertos nas fachadas e a torre imprimam verticalidade à fachada principal. Cobertura diferenciada em telhados de 1, 2, 3, e 4 águas, e em domo de planta quadrangular. Fachada principal orientada a O. de 1 pano entre pilastras, rasgada por portal sobrepujado por janelão gradeado, moldurado, com verga de arco abatido e ladeado por cruz de sagração, embutida no revestimento parietal. Remate em empena de frontão de lanços segmentares, com cornija bem marcada, com cruz no topo. Pórtico da igreja de vão rectangular delimitado por colunas embebidas, simples, de fuste liso, com capitéis e bases lavradas, com ornamentação vegetalista e artificiosa, onde assenta a verga trilobada, chanfrada, de corte singelo. Os arcos prolongam-se, exteriormente, em 3 grinaldas, terminando com motivos naturalistas. No meio do lintel da arcaria, um escudete decorativo, representando uma albarrada com flores *3. Adossada ao frontispício, torre com cunhais de alvenaria, com pequena abertura de iluminação em cada pano, com campanário de 4 vãos moldurados, de arco pleno, de dois pisos marcados por moldura continuada. As restantes fachadas com exiguidade de aberturas, são rematadas à face por empenas simples e beiral de telhados diversos. Fachada a N. com panos descontínuos que correspondem aos volumes adossados; acede-se a pequeno vestíbulo por arco pleno com portão gradeado de ferro, e à igreja pelo seu portal de verga ondulada simples, de pedra talhada grosseiramente. Fachada S. quase idêntica à N. sem portal. Os 2 panos da fachada posterior são cegos. INTERIOR: espaço único e iluminação dada pelos vãos já descritos; nave com revestimento de silhares de azulejos do tipo enxaquetado, verdes e brancos, vendo-se, em ambas os flancos, pequenas cruzes embutidas no revestimento parietal. No flanco esquerdo, púlpito sextavado, adossado à parede, com encosto de madeira, com escada interior *2; portal manuelino de verga ondeada simples. Anexas ao corpo da igreja, transversalmente, 2 capelas laterais, profundas, a do flanco esquerdo com arco de colunas simples, com capitéis e bases lavrados; paredes de alvenaria, com silhares de azulejos, janela com vidraça e altar azulejado, chão lajeado com pedra de lioz, com uma imagem de vulto em madeira, de Santa Marta; a do flanco direito, com arco pleno simples, de alvenaria. Ambas com abóbadas de cruzaria, com nervuras saindo de mísulas de arranque, trabalhadas e firmadas por bocetes de motivos fitomórficos. Não há separação entre nave e capela-mor. Altar-mor com azulejos. À entrada, à esquerda, abre-se o baptistério em arco pleno simples, com pia baptismal em pedra, poligonada. Coro-alto em madeira. Tecto de madeira de perfil trapezoidal. Sacristia revestida a azulejos, com lavatório lavrado.
Acessos: Lg. de Paulo da Gama
Protecção: MN, Dec. nº 8 252, DG 138 de 10 Julho 1922, ZEP, DG 60 de 12 Março 1958 (Pórtico da antiga Igreja de Palhais) *1
Grau: 2
Enquadramento: Urbano, em planície, isolado, numa praça, separado dos arruamentos por passeio, com jardim junto à ilharga direita.

DESCRIÇÃO COMPLEMENTAR:
Utilização Inicial
Cultual e devocional: igreja
Utilização Actual
Cultual e devocional: igreja
Propriedade
Privada: Igreja Católica / Pública: estatal (pórtico)
Afectação
IPPAR, DL 106F/92 de 01 Junho (pórtico)
Época Construção
Séc. 15 / 16
Arquitecto / Construtor / Autor
Afonso Pires, canteiro e arquitecto *4
Cronologia
1497 – fundação; *5; 1531 / 1534 – primeira ampliação do edifício, provavelmente na sequência dos danos causados pelo terramoto de 1531; elevação das paredes da igreja e acrescento ao corpo da igreja do baptistério e da sacristia; 1523 – referência ao azulejamento do altar-mor; 1530 / 1540 – neste período foram embutidas pequenas cruzes de sagração no revestimento parietal exterior, ladeando o pórtico principal e, interiormente, nas paredes N. e S. da nave; 1538, a partir de – novas ampliações; 1553 – Visitação que descreve, em pormenor, as obras já concluídas: construção de 2 capelas funerárias e o coro; 1553 – estava a ser pintado um retábulo de madeira, desarmado do seu encaixe; inscrito numa lápide, com as insígnias da Ordem de Santiago (um hábito de monge) que sobrepujava o portal, demonstrativo da jurisdição daquela Ordem; construção de duas capelas que se pode atribuir, com poucas reservas ao arquitecto Afonso Pires; séc. 18 – provavel feitura do lavabo da sacristia; 1700 – obras no átrio que dá acesso à torre sineira, tendo sido encontrada uma imagem de Nossa Senhora, em calcário ; 1755 – terramoto provoca alguma ruína no edifício; 1758, 23 de Março – documento referenciando quatro altares e duas naves na igreja; séc. 20, início – a igreja encontra-se abandonada; 1911 – a igreja passa à posse do Estado, sendo vendidos todos os paramentos e mais valores que nela existiam; 1916, 29 de Maio – pelo Decreto nº 2410 o templo foi oferecido em arrendamento à Câmara Municipal do Barreiro, a fim de ali se estabelecer uma escola oficial do ensino primário, competendo à Câmara custear as despesas com as obras de adaptação do edifício, assegurar a sua conservação, fazer seguro contra incêndios e comprometer-se a não alterar, entre outras aspectos da sua traça, o pórtico manuelino da igreja e os respectivos batentes de madeira; 1917 – a Câmara manda executar o projecto de escola, mas esta não se fez por falta de verba, pelo que a igreja permaneceu ao abandono; 1932 – a Comissão Administrativa da Câmara, a instâncias da Junta de Freguesia de Palhais, solicitou a cedência provisória das ruínas da igreja, para escola primária, mas a DGEMN reconheceu que era de interesse o restauro da igreja; 1934 – a igreja continuava em ruínas e o seu interior devassado; 1944 – diligências do pároco Abílio da Silva Mendes levaram as ruínas da igreja, com o pórtico manuelino quase intacto, para a posse do Patriarcado de Lisboa; 1950 / 1959 – restauro do templo e abertura ao público.
Características Particulares
O pórtico manuelino de exuberante decoração.
Dados Técnicos
Paredes autoportantes ( templo ) / Estrutura autónoma ( capelas )
Materiais
Alvenaria mista de pedra, barro e cal, cantaria, madeira, telha.
Bibliografia
PAIS, Armando da Silva, O Barreiro Antigo e Moderno – As outras Terras do Barreiro, Barreiro,1963; LEAL, Ana de Sousa, A Igreja de Nossa Senhora da Graça – Na História de Palhais, 1992; DUARTE, Ana, Igrejas e Capelas da Costa Azul, Setúbal, s. d..
Documentação Gráfica
DGEMN: DSID
Documentação Fotográfica
DGEMN: DSID
Documentação Administrativa
IANTT: Convento de Santiago, B50-171, Visitação da Ermida de Nossa Senhora da Graça do Lugar de Palhais; Provimento da Igreja de Nossa Senhora da Graça do lugar de Palhais, 1535, B50, fls. 129, 181.
Intervenção Realizada
1950 / 1959 – obras gerais de restauro; CMBarreiro, JFPalhais, Paróquia de Palhais: 1998 – obras de restauro, com arranjo do telhado da sacristia, para obviar a infiltração de água das chuvas, havendo dificuldade no fornecimento de telhas iguais às primitivas.
Observações
*1 – classificado apenas o Pórtico da antiga Igreja de Palhais; *2 – Está colocado do lado oposto ao que ocupou primitivamente, sem que se saiba o motivo da troca; *3 – O seu significado dever-se-á prender com o simbolismo mariano, representando uma indicação da consagração do templo à Virgem; *4 – O trabalho de cantaria que aqui aparece é idêntico ao que é dado ver no arco da entrada da capela funerária interior, a do Espírito Santo, do lado do Evangelho (de Garcia Homem) cuja traça é atribuída, com poucas reservas, a Francisco Pires (LEAL, 1992), o que pode revelar terem ambos os trabalhos saídos da mesma mão; *5 – A fundação atribuída a Paulo da Gama (falecido em 1499), irmão de Vasco da Gama, que faz parte do imaginário barreirense, não está historicamente confirmada; foi afirmada (SILVA, 1963), mas sem que o autor tivesse mencionado a fonte histórica, devendo querer referir-se, provavelmente ao extinto Convento de Palhais (LEAL, 1992); teria sido erguida devido, unicamente à vontade dos moradores do lugar, e não à de um patrono fundador (IANTT, Convento de Santiago, B50-17); *6 – Tal como a maioria das igrejas espatárias a população local ter-se-ia colectado para a edificar, sabendo-se que foi referenciada uma única excepção, nas freguesias que formam actualmente o concelho do Barreiro (ainda que não tenha sido identificada).
Autora e Data: Albertina Belo 1998.

Por: Albertina Belo, 1998 – no sítio www.monumentos.pt

Mata Nacional da Machada

Designa-se hoje Mata Nacional da Machada, a propriedade constituída pelo antigo Pinhal de Vale de Zebro e pela Quinta da Machada.
A Quinta da Machada pertencia ao “Convento de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo”, porém quando foram extintas as Ordens Religiosas em 1834, foi adquirida por um particular, sendo mais tarde aforada ao Estado que a anexou ao Pinhal de Vale de Zebro.

Pinhal da Machada

A Mata Nacional da Machada, situada na freguesia de Palhais, possui uma área total de 387 hectares, sendo a única área florestal de razoável dimensão no concelho do Barreiro, ocupando cerca de 10% da sua área total.
O Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional da Machada incide apenas nos 237 hectares que se encontram sob gestão da Autoridade Florestal Nacional, no entanto, a Câmara Municipal do Barreiro colabora activamente com intervenções na Mata, para além de acções de limpeza e reparação de infraestruturas.
A propriedade está inserida no PROF AML, na Sub-região homogénea da Península de Setúbal, tendo como funções dos espaços florestais, por ordem de prioridades, hierarquizadas em:
1.ª – Recreio, enquadramento e estética da paisagem;
2.ª – Silvopastoricia, caça e pesca nas águas interiores;
3.ª – Produção.

Localizada entre as freguesias de Palhais, Coina e Santo António da Charneca, é considerada o “Pulmão da Cidade” e constitui um local privilegiado para actividades de recreio e lazer, dispondo de um parque de merendas, fontanários, uma estação arqueológica, e a partir de 2005, um Centro de Educação Ambiental (protocolo CMB – DRARO de JUN2004), uma rede de caminhos florestais em terra e de aceiros e uma excelente vista sobre o Sapal, Tejo e Lisboa.

A Mata apresenta como espécies arbóreas dominantes: o pinheiro-bravo e sobreiro, existindo ainda núcleos de eucaliptos, pinheiro manso, salgueiros e acácias. Ao nível arbustivo e herbáceo registam-se o medronheiro, as urzes ou a murta e ainda outras espécies protegidas, como o tomilho rosa e o tomilho branco.
Os diversos tipos de ocupação do solo, formações vegetais e topografia, constituem um habitat para numerosas espécies animais. É relevante a avifauna associada ao sobreiral e ao pinhal, as aves de rapina, especialmente nocturnas, e os mamíferos como o saca-rabos, o coelho bravo e a raposa.
A Mata apresenta ainda uma zona confinante com o Sapal do Rio Coina, dispondo de uma frente ribeirinha com cerca de 500 metros onde também se pode observar a avifauna limícola e migratória.

Curiosidade:
1863 – O Mestre, Bernardino Barros Gomeso primeiro apóstolo da exploração técnica da floresta”, também esteve nas Matas de Vale do Zebro e da Machada, e em 1864 apresentou o primeiro projecto de ordenamento florestal elaborado em Portugal, só mais tarde concebeu a planta cadastral do Pinhal de Leiria, tendo sido ainda responsável pelo seu estudo e ordenamento. Depois de se colocar sobre a direcção espiritual do Superior de S. Luís dos Franceses (em 1876), apresentou a divisão de Portugal em 12 regiões pelas quais distribuiu os 26 concelhos do continente.

Fonte: Autoridade Florestal Nacional

Museu do Fuzileiro

MUSEU NAVAL DE VALE DE ZEBRO
Polo Museológico da Escola de Fuzileiros
Museu do Fuzileiro – Sala Museu
Data da Fundação: 03 de Junho de 1986

MUSEU NAVAL DE VALE DE ZEBRO

Breve Historial:
Dado o carácter histórico do edifício dos fornos de biscoito, mandado construir nos séc. XIII ou XIV, que se manteve activo até meados do séc. XIX, um «estabelecimento que faz honra à nação» (1856) é, depois de várias serventias, decidido, em 1986, recuperá-lo enquanto «Estabelecimento de Vale de Zebro» e, simultaneamente, nele alojar a memória do «Terço da Armada Real da Coroa de Portugal» a mais antiga unidade militar das nossas Forças Armadas e das suas sucessoras, até aos actuais Fuzileiros. Dado o seu estado, ocupa apenas uma das três alas dos 27 fornos, sem que tivesse sido possível recuperar integralmente qualquer deles.
O Museu, pela sua actividade, tem vindo a desempenhar um papel activo na vida cultural da região.

ACERVO
Colecções:
Caracterização das colecções com peças de temática relativa ao Mar (Por ordem decrescente do número de peças de temática relativa ao Mar):
1 – Condecorações
2 – Armas
3 – Uniformes

Peças de temática relativa ao Mar de valor mais representativo:
1 – Figura de porcelana de Oficial Fuzileiro da Armada Real (1709).
2 – Espada e pistola de Marinheiro Atirador Especial das Vergas (1797).
3 – Estandarte bordado a ouro da Brigada Real da Marinha (1804).
4 – Equipamento e espada de fuzileiro do Terço da Armada Real (1619 ?).
5 – Molde de Biscoito (reconstituição a partir de fragmentos) (séc. XVI ?).

Arquivos / Documentos:
– Papel: Manuais do séc. XIX e XX – Alguns Manuais de Movimentos Nacionalistas Africanos (capturados)
– Fotográfico: Papel (Provas fotográficas) em álbum ou cartonadas – cerca de 300.

Farda de Fuzileiro da Brigada Real da Marinha

OUTRAS INFORMAÇÕES 1
No estuário do rio Coina começava a estrada romana para o sul e no, séc. XVI, Damião de Góis refere a ligação fluvial diária a Lisboa que em 1851 passa a dispor de uma carreira de barcos a vapor. O Estabelecimento recebe Regimento (1653) de D. João IV e em 1762, depois de sete anos, volta à Coroa e o Marquês de Pombal manda-lhe acrescentar uma terceira coxia com mais 9 fornos. Em 1835 passa à Marinha e o fabrico do biscoito vai até c. 1851. A recuperação e a remodelação do edifício foi feita por Fuzileiros e o aparelho construtivo foi deixado à vista, bem como o pouco lageado original e alguns elementos dos fornos. Numa sala está instalado um Memorial a todos os Fuzileiros falecidos em combate no Ultramar (1961-1974).
1-Ver «O Edificado Histórico de Vale de Zebro No Presente» – Hernâni Vidal de Resende – 1ªs Jornadas Arqueológicas e do Património da Corda Ribeirinha Sul.

Encontra-se disponível no site oficial da Marinha Portuguesa um sub-portal que permite realizar uma Visita Virtual à Sala Museu do Fuzileiro.

Fontes: Museu da Marinha  e Site oficial do Corpo de Fuzileiros

Fornos Cerâmicos

Forno cerâmico dos séculos XV e XVI na Mata da Machada

Primeiro Forno Cerâmico da Mata da MachadaFaz parte de uma olaria da qual apenas foi escavado um forno em 1981 (primeira intervenção arqueológica no Concelho do Barreiro), situado em plena Mata Nacional da Machada. 

As escavações que se estenderam a uma área com cerca de 1000 m2 puseram a descoberto um forno cerâmico dos sécs. XV/XVI, «(…) cujas paredes se levantam ainda a um metro e meio da grelha, um espaço aproximadamente quadrangular, com os suportes longitudinais mais poderosos e com uma leve curvatura de arranque, sugerindo uma cobertura em abóbada de berço. A porta de acesso a este espaço abre-se a NW. A câmara de enfornamento rondaria os 20 m3.» Cláudio Torres, s.d..

Das produções referentes ao quotidiano doméstico foram exumadas, entre outras as seguintes tipologias de cerâmica vidrada e por vidrar: malgas, pratos, candeias, tigelas, copos, escudelas e talhas. A par destas foram produzidas peças de uso “industrial” como: pesos de rede, telhas; formas de biscoito, para o Complexo de Vale de Zebro e formas de pão de açúcar, destinadas à exportação para os engenhos açucareiros insulares.
A proximidade do rio Coina, permitia um rápido escoamento da produção, a grande abundância de lenha e a existência de argila no local, justificavam a sua localização.

Decorridos mais de vinte e cinco anos sobre a realização da primeira intervenção arqueológica, é uma das poucas olarias conhecidas dos séculos XV e XVI, o que atesta a sua importância no contexto nacional.

O Forno Cerâmico da Mata da Machada funcionava então como subsidiário dos Fornos de Vale de Zebro, produzindo as formas cerâmicas de tamanho variável, para o fabrico de Biscoito.

Segundo o Regimento dos Fornos de Vale de Zebro: «Ao Mestre dos biscoutos pertence saber como os Biscouteiros, e Mestre das Masseiras usão de seus officios, e se amassão o pão para os biscoutos na forma que he necessário, para que saião bem feitos, e ver quando estão levadas as massas para se lançarem nos fornos, de maneira que não saião os ditos biscoutos asmos» Um Olhar sobre o Barreiro, Junho de 1989.

Do caís do Complexo Real de Vale de Zebro embarcavam também produzidas na Mata da Machada – Formas de Pão de Açúcar, as quais tinham como provável destino a ilha da Madeira, cujo apogeu do ciclo açucareiro data dos sécs. XV/XVI. A importância desta actividade económica madeirense é testemunhada em várias representações heráldicas entre os sécs. XVI e XVIII, onde figuravam as formas de Pão de Açúcar.

Com a decadência da produção açucareira madeirense, no segundo quartel do séc. XVI, assiste-se no Brasil à plantação intensiva de cana-de-açúcar e ao desenvolvimento da produção açucareira. Nos primeiros anos de produção é provável que os engenhos açucareiros desta colónia tenham utilizado as formas cerâmicas produzidas no Barreiro, conjuntura que se alterou com o incremento desta produção, passando a serem também fabricadas no Brasil.

Deste modo a conjuntura expansionista e colonial de Portugal entre os sécs. XV-XVI foi em grande parte suportada pelas infra-estruturas proto-industriais da margem Sul do Estuário do rio Tejo: Fornos Cerâmicos da Mata da Machada e Complexo Real de Vale de Zebro.

Há muitos anos que José Dias da Silva “Padeirinho” (quem melhor conhece a Mata Nacional da Machada), vinha alertando para a existência no “Pinhal da Machada” de vestígios de uma olaria…

José Dias da Silva

José Dias da Silva “Padeirinho”
Nasceu em Santo António da Charneca, no dia 06 de Junho de 1937.

Foi este Santoantoniense que por sua conta, descobriu no “Pinhal da Machada“, os vestígios de uma antiga olaria do séc. XV/XVI, bem como inúmeros fragmentos cerâmicos, algumas moedas (uma de chumbo) e dois anéis (um de ouro).                         É importante referir, estes achados ficaram na posse da Câmara Municipal do Barreiro – Divisão de Cultura Património Histórico e Museus.

Escavação arqueológica de 1981, com a equipa de estudantes do programa de Ocupação de Tempos Livres

Há vestígios de outros fornos de cerâmica, que também foram localizados por José Dias da Silva.

É ainda o José Dias da Silva que há muitíssimos anos faz, de forma desinteressada, a limpeza dos trilhos e das fontes da Mata Nacional da Machada, efectivamente, este Homem faz a diferença !

Aqueles que passam por nós não vão sós,
deixam um pouco de si e levam um pouco de nós.
Saint-Exupéry