Novas leituras para antigas lutas


Revista Brasileira de História – Associação Nacional de História

Novas leituras para antigas lutas: representatividade e organização coletiva entre trabalhadores do ABC Paulista – 1964/1990

RESUMO:

O artigo procura mostrar como os trabalhadores da região do ABC Paulista, apesar da situação de extrema adversidade imposta pela ditadura militar, que perseguiu violentamente as lideranças e transformou as entidades representativas em meros órgãos assistencialistas, reagem a essa situação retomando a capacidade de luta e de organização coletiva. Discute também a aproximação ocorrida entre diferentes correntes da esquerda local como condição para o enfrentamento do regime militar, e chama a atenção para o fato de que as dificuldades criadas por esse mesmo regime forçaram um redimensionamento nas estratégias de intervenção social desses trabalhadores, dando origem à defesa de uma participação direta das bases nos processos decisórios e suplantando as tradicionais teses cupulistas. Conclui mostrando a importância dessas novas formulações no processo de criação e organização do PT e da CUT.

[PDF] http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=26303713 – Rev. bras. Hist., Set 1999, vol.19, no.37, p.279-309. ISSN  >> Autor: Antônio de Almeida

Depoimento do Pe. JOSÉ MAHON – padre operário nas “Indústrias Villares” em São Bernardo do Campo. Apoiou os movimentos de esquerda e a resistência à ditadura militar no Brasil (movimentos de jovens operários e grupos de esquerda e de resistência no ABC. Foi preso sete vezes, no 1º e 6º distrito por apoiar greves de trabalhadores).
Pe. José Mahon, nasceu no dia 8-11-1926 em Roubaíx, região Nord-Pas-de-Calais, França. Em 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, mudou-se para o sul de França. Depois, para o Brasil, Portugal (Barreiro) e voltou ao Brasil em 2006. Religioso da congregação ‘Filhos da Caridade’, cujo pai lutou contra os alemães na 1ª Guerra Mundial e os irmãos lutaram contra o nazismo na 2ª Guerra Mundial.
 

Igreja Católica e Estado

Igreja Católica e Estado. Leigos e Sacerdotes diante do golpe de 1964.

Através da pesquisa de mestrado intitulada “A Ação Social Católica e a Luta Operária: a experiência dos jovens operários católicos em Santo André (1954-1964)” analisei as relações que os militantes da Juventude Operária Católica (JOC) estabeleceram com a hierarquia da Igreja Católica do ABC (SP), ao qual estavam submetidos, e com as outras organizações da classe operária com as quais se relacionavam …

Maria Blassioli Moraes
Pós-graduanda DH – FFLCH/USP

O depoimento do padre operário francês José Mahon (11), membro do Instituto Filhos da Caridade, demonstrou que não apoiou a realização do movimento militar e, segundo este, já durante o governo do Marechal Humberto Castelo Branco observaram a recessão que decaiu sobre os trabalhadores.
… houve então a ditadura militar, no começo, é como agora, no começo achavam que podia ser bom, vamos ver, vamos deixar passar um tempo, teve aquela campanha ouro para o bem do Brasil, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ai muita gente, eu, pessoalmente, quando vi esta revolução militar de 31 de março, eu já fui contra na primeira hora, nunca acreditei que podia dar alguma coisa boa para o Brasil, mas muita gente deu chance a revolução, ao Castelo Branco e veio em 65 uma onda de desemprego muito grande e D. Jorge fez uma carta aberta a Castelo Branco que foi publicada nos jornais daquela época, onde ele tomava parte claramente contra toda esta política dos militares, tanto a Ação Católica Operária, como JOC tiveram vários padres que começaram a se manifestar a favor do povo sofrido e contra essa revolução que suprime o direito de greve, que dava o arrocho salarial, ai veio as condições de moradia, ninguém mais podia comprar um terreno e pagar um aluguél, a não ser realmente que seja um bom profissional e teve vários manifestos, vários panfletos distribuídos escondidos para manifestar que a Igreja não se conformava com essa situação e essa atitude política do governo militar que estava tomando conta do país e naquela época também, em 64, nós resolvemos tentar uma experiência de trabalho em fábrica com os operários, nós estávamos em três porque chegou mais um depois, o Padre Roberto, e nós três fomos trabalhar em fábrica, então nós íamos trabalhar e eu fui o primeiro, eu trabalhei de fresador na Villares, indústrias Villares, na Senador Vergueiro, em São Bernardo do Campo, e trabalhei em 64 e foi muito positivo porque os operários estranhavam a presença de um padre, mas gostavam e depois tinham muita liberdade comigo e, inicialmente, trabalhava só à noite, trabalhava das 21:15 às 6:30 da manhã, então eu fiquei, trabalhava à noite e dormia de dia. (12)
Padre Mahon destacou importantes movimentos organizados por setores conservadores da Igreja, como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que foram responsáveis por disseminar a percepção de que toda a Igreja brasileira estava a favor do movimento militar. Entretanto, em seguida ressaltou sua posição contrária ao golpe e afirmou que o próprio Bispo, autoridade máxima na Igreja do ABC, não tardou em declarar publicamente suas críticas ao novo governo. O Padre justificou sua oposição em decorrência da situação econômica enfrentada pela população da região do ABC.

Fonte: Maria Blassioli Moraes, em Leigos e sacerdotes…

A ASC e a Luta Operária

A Ação Social Católica e a Luta Operária:
a experiência dos jovens operários católicos em Santo André
(1954-1964)

Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção de grau de Mestre em História, Curso de Pós-Graduação em História Social, Universidade de São Paulo.

Orientador: Prof. Dr. Augustin Wernet

São Paulo 2003
Maria Blassioli Moraes
Pós-graduanda DH – FFLCH/USP

[PDF] Maria Blassioli Moraes A Ação Social Católica e a Luta Operária: a …
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-19102004…/tde1.pdf
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Procuramos analisar e discutir a prática de ação e de luta de um grupo de …… O padre operário francês, José Mahon, que chegou ao Brasil no ano de 1961, …

 

Revista Brasileira de História

Novas leituras para antigas lutas: representatividade e organização coletiva entre trabalhadores do ABC Paulista – 1964/1990
Antônio de Almeida
Universidade Federal de Uberlândia

RESUMO
O artigo procura mostrar como os trabalhadores da região do ABC Paulista, apesar da situação de extrema adversidade imposta pela ditadura militar, que perseguiu violentamente as lideranças e transformou as entidades representativas em meros órgãos assistencialistas, reagem a essa situação retomando a capacidade de luta e de organização coletiva. Discute também a aproximação ocorrida entre diferentes correntes da esquerda local como condição para o enfrentamento do regime militar, e chama a atenção para o fato de que as dificuldades criadas por esse mesmo regime forçaram um redimensionamento nas estratégias de intervenção social desses trabalhadores, dando origem à defesa de uma participação direta das bases nos processos decisórios e suplantando as tradicionais teses cupulistas. Conclui mostrando a importância dessas novas formulações no processo de criação e organização do PT e da CUT.
Por vezes, essas reuniões ocorriam no meio do mato, com esquemas de segurança montados para alertar os participantes em caso de algum imprevisto. Noutros momentos, elas aconteciam em lugares pouco suspeitos e os disfarces utilizados por seus integrantes eram um mecanismo para não chamar a atenção.

… vivenciadas por Padre José Mahon, um dos padres operários da região que na época …
… No Jardim Zaira, por exemplo, um dos bairros pobres da periferia de Mauá, várias mulheres dos movimentos comunitários foram presas e torturadas, permanecendo na cadeia por vários dias e, conseqüentemente, perdendo os seus empregos3.
… Uma vez eu entro numa sala da igreja e vejo uns quinze a vinte homens(…) estudando a bíblia. Eu só conhecia uns dois ou três. Depois que eu soube que eles estavam fazendo uma reunião clandestina e todos tinham a bíblia aberta porque se alguém entrasse de repente, alegariam que estavam estudando a bíblia. Eu era vigário da paróquia mas não queria saber o que estava acontecendo porque se um dia eu fosse preso e torturado eu podia falar. Agora não sabendo das coisas, tudo bem19.

Fonte: Rev. bras. Hist. vol.19 n.37 São Paulo Sept. 1999

60 anos servindo aos mais humildes

Padre José Mahon é um dos padres jubilares da Diocese de Santo André em 2011. E para celebrar a graça de chegar a 60 anos de sacerdócio, no domingo, 22 de maio, às 8h da manhã, na Igreja São Geraldo Magella, na Vila Guaraciaba, em Santo André, foi celebrada a Missa para agradecer a Deus por tantas graças que recebeu e que lhe permitiu ajudar, principalmente os mais humildes.

Mais de quinhentos paroquianos ali estiveram para participar da missa em ação de graças que foi presidida pelo Bispo Emérito de São Paulo, Dom Angélico Bernardino Sândalo, um amigo de quatro décadas, e que estiveram juntos em muitas das caminhadas em defesa das pessoas mais simples.

Padre Mahon foi ordenado há seis décadas na igreja São Vicente de Paula, no subúrbio de Paris, mas desde 1942 trazia no coração o ideal de ser um sacerdote de Jesus Cristo. Após dois anos no Seminário de Filosofia em sua diocese, decidiu entrar para a Congregação dos Filhos da Caridade, cujo carisma é a evangelização dos trabalhadores, e de todas as pessoas marginalizadas pela sociedade.

A primeira paróquia onde pastoreou em nossa Diocese foi a Santa Terezinha, de Santo André, depois peregrinou por Mauá, e por anos ficou na Paróquia São Geraldo Magella. Em Santo André também passou pelo Parque João Ramalho. E depois se tornou um missionário em Portugal. Retornando à Diocese serviu no Ferrazópolis, em São Bernardo, Rio Grande da Serra. Esteve também em Guarulhos e anos atrás esteve em missão na África.

Para festejar os 50 anos dos Filhos da Caridade no Brasil foi lançada uma camiseta com os dizeres: “É preciso pessoas que amem a classe trabalhadora”.

Fontes: Sites da Diocese de Santo André e da Paróquia São Vicente de Paulo situado em Mauá – SP, em Brasil.

49ª SESSÃO SOLENE

14 DE SETEMBRO DE 2009

049ª SESSÃO SOLENE EM COMEMORAÇÃO AOS “99 ANOS DO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA”

…O SR. DONISETE BRAGA – PT – Boa noite a toda nação corinthiana aqui presente. Quero cumprimentar e saudar o Deputado Conte Lopes, nosso Presidente; cumprimentar o Deputado Said Mourad pela brilhante iniciativa, saudar o meu Presidente do Corinthians Andrés Sanchez, e em nome dele cumprimentar todos os presentes aqui neste evento simbólico marcante nesta noite. Em nome da Sra. Marlene Matheus quero cumprimentar todas as mulheres corinthianas do nosso Brasil e as mulheres corinthianas aqui presentes nesta noite.

Eu fiz questão de homenagear o jornalista tão conceituado do nosso rádio brasileiro, o nosso professor Heródoto Barbeiro não só porque também é do rádio, mas quando a nação corinthiana não pode pagar os ingressos para ver o time jogar, ela escuta. E sem dúvida alguma não só porque o Heródoto é um grande corinthiano, grande jornalista e grande corinthiano, mas também simbolicamente o rádio representa a emoção do futebol pois muitas pessoas muitas vezes não podem estar no estádio de futebol.

Como bem falou aqui o Deputado João Caramez, nem todos nascem corinthianos, mas eu nasci corinthiano. Com 10 anos de idade, no dia 13 de outubro de 1977, o padre José Mahon na minha cidade de Mauá, um padre corinthiano fechou a paróquia e convidou toda a comunidade para assistir a final depois de 22 anos oito meses e seis dias de um grande jejum corinthiano. Então, para mim, aquela noite foi marcante, e é por isso que eu me tornei corinthiano. Quero agradecer não só o padre José Mahon por ter me induzido, e hoje é motivo pra mim de muita honra ser corinthiano, mas quero ler aqui um trecho da fala do Basílio que naquela noite fez o gol depois de 22 anos de história de um jejum: “A terceira partida do Paulistão de 77 foi a melhor que nós fizemos no campeonato. Jogamos determinados, fomos pacientes, e também atrevidos, tanto que mesmo precisando do empate fomos para cima da Ponte Preta. No primeiro tempo merecíamos ter feito um, dois ou três gols. Na segunda etapa o jogo ficou equilibrado até o gol. O lance saiu de uma bola parada, e eu depois do bate e rebate fiz o gol de direita e corri para a galera. Após o jogo queríamos dar a volta olímpica, mas foi impossível, pouco importa, o que valeu mesmo foi a festa e o fim do jejum. Basílio”. (Palmas.)

Eu quero entregar aqui para o Heródoto o certificado em mãos, os 23 anos em sete segundos.

Andrés, eu estou trazendo para o Heródoto uma camisa de treino para que ele possa jogar no nosso time de veteranos, master do Corinthians. Muito obrigado pela sua presença aqui. (Palmas.)

Fonte: Portal da ALESP – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

Celebração de aniversário

Padre Mahon e Padre Félix – Festa realizada na Paróquia São Geraldo Magella
Santo André, São Paulo – Brasil
22 de Maio de 2011

Celebração de ação de graças pelos 60 anos de ordenação sacerdotal do Padre José Mahon fc e o duplo nascimento do Padre Félix Manoel dos Santos fc, para a Vida há 46 anos e para a Igreja, há 12 anos A festa contou com a presença de Dom Angélico Sândalo, bispo emérito, vários padres e o povo de Deus. Um dia inesquecível!

Padre José Mahon é homenageado

Vídeo de Homenagem ao Padre José Mahon fc!

Câmara Municipal de Santo André, São Paulo – Brasil

Pois claro que é Padre Zé! Neste vídeo temos a Homenagem aos 60 anos de sacerdócio do Pe. José Mahon fc e do Cinquentário da Congregação Filhos da Caridade no Brasil – 11 de maio de 2011! Desfrutem!

Uma grande festa de confraternização entre grandes amigos. Assim pode ser descrita a Sessão Solene realizada nesta quarta-feira, 11 de maio, em comemoração ao Jubileu de
Diamante Sacerdotal (60 anos) do padre José Mahon e aos 50 anos da chegada ao Brasil dos Filhos da Caridade O Padre José João Maria Rogério Mahon, mais conhecido como Padre Mahon, veio para o Brasil em 1961, vindo a se dedicar prioritariamente aos setores pobres e necessitados de Santo André.
Ao longo de sua história de luta e resistência popular, construiu em Santo André um precioso trabalho religioso e social, prestigiado por todos.
Em 23 de setembro de 1998, recebeu desta Câmara Municipal o Título de Cidadão Andreense.
Para o vereador Tiago Nogueira, autor da iniciativa, “a sessão foi um sucesso, trata-se de uma pequena homenagem a grande trajetória e obra de José Mahon e dos Filhos da Caridade, 50 anos de Brasil desse que já é um cidadão Brasileiro de coração e Andreense de opção com titulo dado pelo nosso companheiro Carlinhos Augusto.
Muitas lembranças, Pe Alfredinho, Dom Jorge Marcos, Philadelfo Braz, Celso Daniel e algumas lutas como da Moradia no Centreville, Alzira Franco, Maronitas, Jd Santo André entre outras, a luta pelo transporte coletivo de qualidade, apoio aos trabalhadores em greve, o combate a ditadura militar e tudo isso com muita tranquilidade, persistência e amor, tudo isso é a expressão desse que é um dos nossos e sem dúvida ainda tem muito para nos ensinar.
Agradeço a todos pela presença, aos companheiros e companheiras que ajudaram na organização ao companheiro Vilson, Rafael e Elisete Barbosa pela brlhante apresentação
musical e ao Arlindo que de improvisso deu um show.
Temos muito ainda a fazer e o exemplo do padre José Mahon deve ser nossa inspiração sempre ao lado dos pobres e da classe trabalhadora. E para isso que fizemos o PT”.

Fonte: Portal do vereador Tiago Nogueira – Qui, 12 de Maio de 2011 21:56

História do Centreville

Falta de adaptação levou ocupantes embora

Padre José Mahon, 84 anos, acompanha a história do Centreville desde o início. Ele estava junto com os moradores dois dias após a invasão, e nunca mais saiu.

Mahon lembra que a ocupação aconteceu em dois momentos: 16 de julho de 1982 e 11 de fevereiro de 1983. Sempre ao lado dos ocupantes, ele explica por que restam poucas pessoas no Centreville que participaram da ocupação. “Todas as pessoas saíram de favelas e por vários motivos não se adaptaram às grandes casas do conjunto”, comentou.

No começo da ocupação, todos estavam empolgados com o tamanho das residências. Aos poucos, foram percebendo que manter um casarão não era fácil. “Aquelas pessoas estavam acostumadas aos pequenos barracos, portanto, uma vez dentro das mansões, deixavam muitos cômodos desocupados”, relembra o padre. Os espaços vazios eram vendidos ou alugados. E quando a situação financeira apertava, as famílias voltavam para as favelas.

“Elas aceitavam qualquer dinheiro para deixar as casas. A mudança era rápida: enquanto uma família estava saindo, a outra estava com as coisas na porta da residência. Assim, não corriam o risco de outros ocupantes tomarem a casa”, explica o religioso.

Dessa forma, o bairro passou a acomodar famílias de classe média. A maioria das pessoas que lutou pela ocupação abandonou ou vendeu as casas.

Até mesmo a antiga sede da associação de moradores foi alugada para gente de fora. “Cheguei neste mês de Garanhuns (Pernambuco) e vou tentar a vida em São Paulo”, explica dona Maria Aparecida de Andrade Oliveira, 44. Ela, que paga R$ 400 por mês pelo imóvel, posa na porta de casa, sem saber o significado das inscrições na parede.

Padre Mahon toma conta da Capela Nossa Senhora da Esperança, construída no centro do Centreville.

Fonte: Centreville caminha para a regularização,
por Renan Fonseca, do Diário do Grande ABC