ACB

A história da ACB – Associação Comunitária do Barreiro começa em Dezembro de 2005, quando o padre José Mahon, conhecido por ajudar os mais humildes, foi confrontado com inúmeros pedidos de ajuda alimentar, a que não conseguia dar resposta.
Muitas pessoas tinham deixado de receber ajuda da Segurança Social – Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC) através da Caritas da Paróquia de Sta. Maria do Barreiro e, confrontadas com o aumento de despesas e a diminuição dos rendimentos, bateram à porta do padre José Mahon, na Igreja de Santa Cruz do Barreiro. Este, sensibilizado e preocupado, por ninguém ter tomado a iniciativa de apoiar estas famílias, estabeleceu de imediato contactos e procurou soluções.

Começou por constituir, na igreja de Santa Cruz, um Grupo de Trabalho para tentar minimizar o impacto da situação, com o apoio do Grupo Sócio-Caritativo de Solidariedade da paróquia, que nessa ocasião estava envolvido na campanha do Cabaz de Natal. Devido a essa sobrecarga, foi proposto ao João Martins um trabalho de desenvolvimento comunitário mais abrangente, que prontamente manifestou disponibilidade e, sob a orientação do padre José Mahon, arrancou para esse desafio.

Começaram por solicitar informações à paróquia de Sta. Maria, com respostas muitíssimo positivas, por parte do Sr. Frederico Pinto e do Sr. António Margalhau.
Após uma análise dos elementos cedidos, o novo Grupo de Trabalho optou pela criação de uma equipa específica para desenvolver este novo projecto, constituída pelos seguintes elementos:
Maria de Lurdes Tavares Marques de Almeida Ramião,
Maria Antónia da Silva Carapinha,
Piedade Maria Cláudio,
João Manuel Gonçalves Martins,
Octávio Cardoso Lopes,
Mário Francisco Gonçalves.

Na segunda fase foram integrados na equipa três novos elementos:
Augusto Henrique Caseiro,
Maria da Conceição Soares Gago,
João Manuel Eusébio Lopes de Sousa.

Era chegado o tempo de iniciar o apoio às famílias carenciadas e conhecer melhor a situação no terreno. Com esse objectivo, o João Martins acompanhado pelo Octávio Lopes e, posteriormente, pelo Mário Gonçalves, foram junto das pessoas mais necessitadas, primeiro no Bairro das Palmeiras, mais tarde no Barreiro Velho e noutras freguesias do concelho, até mesmo na Baixa da Banheira. Contaram sempre com o precioso apoio da Maria de Lurdes e da Maria Antónia, que conheciam bem essa realidade.
Ao ver em primeira mão como a pobreza, doença, baixos rendimentos, desemprego, precariedade do trabalho e habitação, afectam as pessoas e a sua comunidade, tornou-se rapidamente evidente que havia muito trabalho a fazer.

As Famílias/Indivíduos mais carenciadas foram identificadas por nós, nessa pesquisa porta a porta, e foi criada uma base de dados sobre as famílias necessitadas. Após a referenciação das pessoas que compunham o agregado familiar e a recolha de todos os documentos, fomos fazendo a sua inscrição para beneficiários na Segurança Social, via PCAAC, em Setúbal. Simultaneamente íamos dando conhecimento das aprovações ao Banco Alimentar Contra a Fome de Setúbal, na sua sede em Palmela. Desta forma, fomos trabalhando passo a passo, resolvendo as situações mais críticas, já com a distribuição gratuita de bens alimentares.

Considerando os resultados, da reunião com o Prof. Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, na sede da Cáritas Diocesana de Setúbal em 16FEV2006, e de várias reuniões com o padre José Manuel Andrade, na Reitoria de N.ª Senhora do Rosário (embora temporariamente tenhamos utilizado um anexo da igreja de N.ª Senhora do Rosário, em trabalhos de secretariado), por indiscutível falta de apoio, a equipa resolve reflectir sobre o assunto.

Atendendo a que o Projecto de Ajuda Alimentar a Carenciados mobilizava meios que a paróquia de Santa Cruz não tinha condições para nos disponibilizar, concluímos que só havia um caminho a seguir, conseguir a autonomia do CENTRO DE APOIO ALIMENTAR.
Apostámos no que tínhamos, na força dum trabalho de equipa e na intercedência da Maria de Lurdes junto do padre José Mahon, que acabou por admitir a possibilidade de autonomizar o Centro de Apoio Alimentar, numa futura Associação Comunitária, caso as metas que traçou fossem atingidas. Essas metas foram sendo ultrapassadas e foi com grande entusiasmo que, em 31AGO2006, o Mário Gonçalves conseguiu que o novo pároco lhe entregasse o documento que permitiu dar continuidade ao nosso trabalho e legalizar a Associação Comunitária do Barreiro, junto da Segurança Social e do Banco Alimentar.

Apesar de ter aumentado significativamente o número de beneficiários aprovados, continuamos, no dia-a-dia, a ser confrontados com novos pedidos de ajuda, inclusivamente da Cidade Sol – Santo António da Charneca, daí o João Martins e o padre José Luís Moreira Santos, pároco de Palhais/S. António, terem reunido algumas vezes, para futura colaboração. Salientamos o apoio do Exmo. Sr. Eng.º Luís Tavares, membro do Conselho de Administração da Quimiparque, do Exmo. Sr. Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, e do Exmo. Sr. Hélder Madeira, presidente da Assembleia Municipal do Barreiro, assim como, a valiosa colaboração do Exmo. Sr. Albino Lopes, presidente da Lopes & Marques, Exmo. Sr. Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro e da Exma. Sra. D. Alexandra Silvestre, presidente da Junta de Freguesia da Verderena, na cedência de viaturas para levantarmos, nos armazéns de Palmela, os bens essenciais que o Banco Alimentar nos entrega.

Com esta estratégia de apoios, fomos conseguindo contornar os obstáculos seguindo em frente com a criação da ACB – Associação Comunitária do Barreiro. Já foi emitido o Cartão Provisório de Identificação de Pessoa Colectiva N.º P507841808 e iniciámos, agora, a adaptação do anteprojecto dos nossos estatutos, para estatuto de IPSS, para sermos reconhecidos como Instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, agradecendo a orientação da FRATER, da CSSA e da CATICA.

Vamos continuar a trabalhar para encontrar alternativas e garantir a continuidade do projecto. No presente, o mais importante é garantir a viabilização das despesas fixas mensais. Com este propósito a Maria de Lurdes e o João Martins reuniram com a Direcção do Rotary Club do Barreiro, para oficializar o pedido de um contributo para pagamento de parte da renda da nossa sede, na Rua da União, número dezasseis (Parque Industrial do Barreiro).

Com um elevado número de beneficiários a passarem por enormes dificuldades, serão necessários mais apoios, para procurarmos novos equipamentos. Pois, precisamos de arranjar urgentemente uma câmara frigorífica de conservação e, futuramente, uma viatura, para podermos em proximidade responder aos problemas que vão surgindo no concelho.

Como prometido é devido…, sinto que, neste início de 2007, me devo afastar de determinadas coisas, para que novas coisas possam acontecer. É a hora do João Martins sair!

Para finalizar, desejo que a futura Direcção da ACB venha a eleger como primeiro Sócio Honorário, o padre José João Maria Rogério Mahon, mais conhecido como padre José Mahon, pois ele merece receber tal honra!
Embora nem sempre tenhamos estado de acordo em algumas questões, cedo entendi quanto o padre José Mahon era imprescindível.
Com o seu exemplo de entrega, de partilha e de permanente disponibilidade, aprendi o que é o espírito de amor ao próximo.

Um HOMEM profundamente solidário, de atitudes, cuja serenidade contagiava.

A minha admiração e agradecimento face à sua capacidade de trabalho, conhecimento e, sobretudo, o perfil humano, vão muito para além destas palavras. Foi efectivamente um privilégio ter sido seu colaborador neste projecto!

Tudo começa com um sonho… Obrigado a todos, indiscriminadamente, que conviveram comigo nesta dura, porém profícua e enriquecedora caminhada e que de maneira directa ou indirecta contribuíram para a afirmação da ACB – Associação Comunitária do Barreiro!