D. Manuel Martins gostaria de uma sociedade que não se deixasse manipular

Bispo emérito de Setúbal reeditou livro apresentado por Ramalho Eanes. Ex-Presidente disse que não podemos só intervir de quatro em quatro anos nas eleições.

A sociedade portuguesa não está suficientemente preparada para exigir aos políticos que prestem contas da sua acção. A ideia foi defendida por D. Manuel Martins.

“Se formos ler os 55 artigos da Constituição Portuguesa, do 24 ao 79, que fala dos Direitos, Liberdades e Garantias, tenho uma pena muito grande que a nossa gente não seja obrigada na escola a decorar estes deveres porque está ali consignado tudo aquilo que diz respeito à salvaguarda da nossa dignidade”, disse.

D. Manuel Martins acrescenta que, a partir daí, “não nos deixaríamos facilmente manipular por qualquer espécie de políticas ou qualquer espécie de políticos”.

O bispo emérito de Setúbal lançou esta quarta-feira no Porto uma reedição da obra “Pregões de Esperança”, originalmente editada em 1997 como retrato da grave crise económica e social na zona de Setúbal.

Dezassete anos depois, o livro acrescenta novos textos mais actuais. Com o dedo crítico apontado ao poder político, mas também a uma sociedade que, diz D. Manuel Martins, não está preparada para defender os seus próprios direitos.

A obra agora reeditada foi apresentada no Porto por António Ramalho Eanes. O antigo Presidente da República defende que o país não pode estar permanentemente à espera das eleições para exigir uma mudança de rumo.

“Não podemos esperar que o Estado tenha um comportamento permanentemente ético e correcto, sempre competente. O que temos é nós – sociedade – que dialogar com o Estado para obrigar a respeitar os compromissos que assumiu connosco e que, no essencial, têm como finalidade defender o bem comum. Não podemos estar à espera para dizer o que queremos de quatro em quatro anos”, refere.

Fonte: Sítio da Rádio Renascença, data: 2014-11-13