PALHAIS

Palhais – “Entre a terra e o rio”

Em Palhais sente-se a história em cada recanto, nas faces, nos costumes, na forte identidade de um povo ligado à terra, ao rio e aos primeiro passos dos Descobrimentos Marítimos.
À entrada de Palhais encontra-se a igreja de traça manuelina, dedicada a Nossa Senhora da Graça, fundada segundo a tradição por Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama.

O único Monumento Nacional Classificado do Concelho do Barreiro, apresenta uma grande sala com uma capela lateral de cada lado, a modo de transepto. É uma igreja de estilo manuelino mas assinalando a transição para o renascimento, devido aos restauros aí efectuados em finais do século XVI. Os azulejos que revestem as paredes são do tipo enxaquetado, verdes e brancos. Abrem-se nesta nave única duas capelas laterais de estrutura gótica cujas abóbadas já denunciam a nova linguagem arquitectónica do conjunto do monumento. Conserva o primitivo portal manuelino,­ uma verga trilobada que é encimada por motivos fitomórficos e geométricos, tendo no centro uma pedra de armas, com insígnias heráldica.

Coração dos Descobrimentos
Ainda hoje se sente a grande azáfama do estaleiro naval do século XVI, junto ao rio Coina, do tempo em que se construíam ali os navios dos Descobrimentos. Daqui, muitas vezes já compostos, iam para Lisboa, onde eram dados os últimos retoques e depois de benzidos partiam para novas conquistas. Ainda se sentem os ecos das centenas de pessoas, de oficiais superiores e mestres a escravos, que construíam os navios e recolhiam a madeira da Mata da Machada e do Pinhal das Formas.

Palhais era local de fabrico do célebre biscoito (um pão feito com trigo, água e sal) que alimentava as campanhas marítimas. Esta memória é hoje visível na Sala Museu da Escola de Fuzileiros de Vale de Zebro , que evoca a presença de dezenas de moinhos de maré e de vento que reduziam os cereais a farinha e dos fornos cerâmicos da Mata da Machada em que eram fabricadas as malgas, os pratos, as candeias e as placas circulares para as formas do biscoito e do pão de açúcar.

Coração dos Descobrimentos, o Complexo Real de Vale de Zebro (que abrange a zona ocupada pela actual Escola de Fuzileiros Navais) tinha 27 fornos, armazéns de cereal, cais de embarque, um moinho de maré de oito moendas e um enorme pinhal.
Neste espaço existe um extraordinário museu que traça a história dos fuzileiros e da Marinha, em que pode descobrir a parte da sua história, das fardas ao armamento, desde a época em que integravam o Terço da Armada Real, em que a principal missão era proteger as naus que entravam no Tejo carregadas de ouro e especiarias ameaçadas pelos piratas, ao tempo em que na Brigada Real da Marinha, protegiam a rainha D. Maria I até ao diversificado papel nas múltiplas campanhas militares portuguesas.

A natureza a preservar
A par da magnífica Mata da Machada , na freguesia de Palhais pode usufruir de um paraíso natural, quase secreto e desconhecido pela grande maioria. O sapal do rio Coina que abraça o estuário do Tejo é, desde sempre, um local eleito por aves e peixes para reprodução e berçário. O encerramento das indústrias mais poluentes permitiu que muitas espécies que se julgavam desaparecidas para sempre voltassem a procurar o Sapal de Coina para se reproduzirem. Simultaneamente voltaram as aves aquáticas que constituem um espectáculo ao deambular entre as ilhotas, moinhos de maré e carcaças de barcos tradicionais.

Uma “aldeia” na cidade
O desenvolvimento da freguesia de Palhais tem sido muito equilibrado, numa harmonia entre a vida comunitária, e da forte identidade do seu núcleo e uma expansão urbana sustentada que reafirma a tranquilidade e a forma de estar muito própria que caracteriza a população de Palhais, há muitas centenas de anos.

Fonte: Sítio da Junta de Freguesia de Palhais