Mata Nacional da Machada

Designa-se hoje Mata Nacional da Machada, a propriedade constituída pelo antigo Pinhal de Vale de Zebro e pela Quinta da Machada.
A Quinta da Machada pertencia ao “Convento de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo”, porém quando foram extintas as Ordens Religiosas em 1834, foi adquirida por um particular, sendo mais tarde aforada ao Estado que a anexou ao Pinhal de Vale de Zebro.

Pinhal da Machada

A Mata Nacional da Machada, situada na freguesia de Palhais, possui uma área total de 387 hectares, sendo a única área florestal de razoável dimensão no concelho do Barreiro, ocupando cerca de 10% da sua área total.
O Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional da Machada incide apenas nos 237 hectares que se encontram sob gestão da Autoridade Florestal Nacional, no entanto, a Câmara Municipal do Barreiro colabora activamente com intervenções na Mata, para além de acções de limpeza e reparação de infraestruturas.
A propriedade está inserida no PROF AML, na Sub-região homogénea da Península de Setúbal, tendo como funções dos espaços florestais, por ordem de prioridades, hierarquizadas em:
1.ª – Recreio, enquadramento e estética da paisagem;
2.ª – Silvopastoricia, caça e pesca nas águas interiores;
3.ª – Produção.

Localizada entre as freguesias de Palhais, Coina e Santo António da Charneca, é considerada o “Pulmão da Cidade” e constitui um local privilegiado para actividades de recreio e lazer, dispondo de um parque de merendas, fontanários, uma estação arqueológica, e a partir de 2005, um Centro de Educação Ambiental (protocolo CMB – DRARO de JUN2004), uma rede de caminhos florestais em terra e de aceiros e uma excelente vista sobre o Sapal, Tejo e Lisboa.

A Mata apresenta como espécies arbóreas dominantes: o pinheiro-bravo e sobreiro, existindo ainda núcleos de eucaliptos, pinheiro manso, salgueiros e acácias. Ao nível arbustivo e herbáceo registam-se o medronheiro, as urzes ou a murta e ainda outras espécies protegidas, como o tomilho rosa e o tomilho branco.
Os diversos tipos de ocupação do solo, formações vegetais e topografia, constituem um habitat para numerosas espécies animais. É relevante a avifauna associada ao sobreiral e ao pinhal, as aves de rapina, especialmente nocturnas, e os mamíferos como o saca-rabos, o coelho bravo e a raposa.
A Mata apresenta ainda uma zona confinante com o Sapal do Rio Coina, dispondo de uma frente ribeirinha com cerca de 500 metros onde também se pode observar a avifauna limícola e migratória.

Curiosidade:
1863 – O Mestre, Bernardino Barros Gomeso primeiro apóstolo da exploração técnica da floresta”, também esteve nas Matas de Vale do Zebro e da Machada, e em 1864 apresentou o primeiro projecto de ordenamento florestal elaborado em Portugal, só mais tarde concebeu a planta cadastral do Pinhal de Leiria, tendo sido ainda responsável pelo seu estudo e ordenamento. Depois de se colocar sobre a direcção espiritual do Superior de S. Luís dos Franceses (em 1876), apresentou a divisão de Portugal em 12 regiões pelas quais distribuiu os 26 concelhos do continente.

Fonte: Autoridade Florestal Nacional