Uma História uma Vocação 5

PADRE ALFREDINHO SINAL DA CARIDADE DE DEUS – PARTE 5
O PADRE ALFREDINHO

Em 1968 chegou do Canadá o padre Alfredinho, religioso Filho da Caridade e trazia em sua bagagem a vontade de viver no meio dos mais pobres. Ele pensava em residir na favela dos alagados em Salvador (Bahia), mas o arcebispo não concordou, e mudando de ares, ele foi aprender a língua portuguesa em Crateús onde dom Fragoso, bispo diocesano, o acolheu. Passado alguns meses, a amizade com Dom Fragoso se intensificou, a ponto do padre Alfredinho resolver ficar em Crateús.

Fredy Kunz (padre Alfredinho) realizou um trabalho apostólico muito profundo nos bairros mais pobres, no meio da prostituição, nas frentes de trabalho, e enfrentou as críticas dos militares naquela época de repressão. O religioso conseguiu que o povo de Crateús fosse acolher com carinho os grupos de camponeses que, deixando as suas terras por causa da seca, vinham à cidade com a intenção de saquear os supermercados: estas pessoas necessitadas foram acolhidas nas casas do povoado como verdadeiros irmãos. As famílias abriam as suas portas aos famintos e surgia o PAF (Porta Aberta aos Famintos). Padre Alfredinho criou na Barra do Vento um centro de retiros, foi chamado para animar retiros de sacerdotes e religiosas, tinha um jeito de viver tão simples e evangélico que se tornou uma figura muito conhecida no Brasil. Fundou a Irmandade do Servo Sofredor (ISSO) que se espalhou em muitos estados do Brasil e muitos países do mundo. Em 1989 veio para Santo André, viveu no meio dos pobres em baixo de viadutos e na favela Lamartine, situada na região da paróquia São Geraldo. Nesta favela, ele animou a comunidade Nossa Senhora Aparecida, no coração da favela. Como todo ser humano, a idade comprometia a sua saúde, mesmo alimentando-se bem (arroz, feijão, sopa, legumes, chá, café, suco natural). A sua saúde estava muito precária e, após uma longa doença, faleceu em Santo André no dia 11 de agosto de 2000. Padre Alfredinho escreveu vários livros, entre eles o mais conhecido: “A burrinha de Balaão” e a vida dele foi biografada por Michel Bavarel, e dentre muitos testemunhos de vida não podemos esquecer a sua resistência contra grupos capitalistas que se enriquecem, vendendo produtos nocivos à saúde de nossa população (por exemplo, padre Alfredinho não tomava qualquer refrigerante fabricado pela multinacional Coca Cola).

Padre Alfredinho e todos que estiveram e atuam na Irmandade do Servo sofredor escreveram e escrevem uma bonita história, marcada pela espiritualidade do Servo Sofredor (Is. 42ss), o grupo dos sete, os encontros e retiros, e como diz a dona Ricarda “Eu quero ser o que sou, nada mais daquilo que sou”. Nós continuamos seguindo com nosso carisma, mas que fique registrado: “Os exemplos de santidade acontecem em nossas periferias”.

CONCLUSÃO

É difícil concluir porque a caminhada continua: 50 anos é pouco, pensando que a nossa igreja já tem mais de 2.000 anos! Mas nosso desejo é ser fiel ao carisma de nosso fundador o padre Anizan: ”Olhando o povo, Jesus viu tantas ovelhas sem pastor e teve compaixão.”

O mundo operário evoluiu nestes 50 anos: profissionais altamente qualificados, outros trabalhando em firmas terceirizadas com pouca garantia para o futuro, cresce o número dos que vivem na rua, o número de jovens que caem nas drogas aumenta sensivelmente, separações nas famílias prejudicam a educação das crianças, a degradação do meio ambiente…

Diante de novos problemas devemos encontrar novas respostas. Por isso tentamos ser criativos, e somos guiados pelo Espírito Santo, Dom de Deus. O campo é grande, o trabalho apostólico nunca vai faltar e por isso:

“Ó DEUS DAÍ À VOSSA IGREJA SANTOS PASTORES
PARA QUE OS POBRES CONHEÇAM O VOSSO AMOR”.
“Peçamos ao dono da messe
que mande operários para a sua messe.”

Fonte: Livreto comemorativo dos 50 Anos dos Filhos da Caridade no Brasil