Uma História uma Vocação 4

OS PADRES NO MEIO DOS TRABALHADORES – PARTE 4
PADRES-OPERÁRIOS

Era década de 60 e estávamos em três padres. Fato marcante em nossa Igreja Católica deve-se à capacidade de pensar e ser criativos na evangelização, e com este dom os três religiosos tentaram realizar um sonho: um dos três sacerdotes iria trabalhar na fábrica, e conhecendo a realidade da massa trabalhadora, partilharia entre os Filhos da Caridade no Brasil, a vida e o suor dos que lutam para sustentar a família. Guiado por este desejo e convicção, o padre José Mahon foi contratado em 1964 (época da revolução de 31 de março) pelas “Indústrias Villares” em São Bernardo do Campo. Depois foi a vez de Pedro Jordanne trabalhar na “Nordon” (fábrica metalúrgica em Utinga – Santo André) em 1965 e 1966, e Roberto Du Lattay em 1967 era admitido na empresa “Irmãos Vassoler” na Avenida Industrial em Santo André, contudo, percebemos que era quase impossível atender bem os paroquianos, formar militantes e trabalhar em fábrica.

Em nossa equipe de religiosos chegaram os Filhos de Caridade, Bernardo Hervy e Carlos Tosar, este ordenado sacerdote em julho de 1969 e trabalhador na “ZF” (São Caetano) e “Firestone” (Santo André) por vários anos. Bernard Hervy, também padre-operário, trabalhou como torneiro mecânico, na “Vidrobras”, na “União dos refinadores”, e depois, em Santo André, passando por diversas fábricas, e ligado mais intensamente a um trabalho sindical, na época em que a classe operária do ABC sofria com a ditadura militar.

Na década de 70, chega o padre Ivo Rannou, Filho da Caridade, trabalhador da construção civil no ABC, como pedreiro, e durante vários anos acompanhou a JOC do ABC, como assistente. Outro FC que veio viver conosco era um padre que esperava o visto para entrar em Cuba, mas, sem resposta, passou alguns anos conosco. Seu nome era João Pedro Borderon e trabalhou como eletricista na Philips, até receber o visto esperado.

PARTE 5