Uma História uma Vocação 1

FILHOS DA CARIDADE 50 ANOS – PARTE 1


APRESENTAÇÃO

Na 2ª metade do século XIX, a industrialização se espalha na Europa: aparecem as primeiras fábricas, os primeiros trens, o início do progresso. Com estas indústrias surge a necessidade de mão de obra. A classe operária está se formando, contudo a exploração dos trabalhadores é muito grande: salários baixos, horas trabalhadas cada vez mais numerosas, saúde dos operários deficiente: tuberculose, anemia, verminoses e outras. O mundo do trabalho parece um imenso rebanho de pobres escravizados. Nasce a Internacional Socialista de pensamento marxista A Igreja nunca se deparou com tal problema e fica sem ação. Qual será o futuro deste povo abandonado? Alguns cristãos começam a perceber a gravidade da situação: Albert de Mum, Frederico Ozanam: porém, são poucos. É neste contexto que um jovem sacerdote, Emílio Anizan nascido em 06 de janeiro de 1853 numa aldeia a 70 km no sul de Paris, faz a ligação entre esta situação e a atitude de Jesus diante do povo da Galileia quando Ele ficava comovido por tantas “ovelhas sem pastor”. O padre Anizan conhece muitos bairros pobres de Paris e entra em contato com este povo trabalhador: seu coração não pode aceitar tal situação: como Jesus, ele tem “compaixão deste povo” ainda mais porque a maior parte não sabe que é amado por Deus. Conhecendo os pobres de sua época e observando que muitos deles não tinham acesso aos sacramentos, por causa da conjuntura social, com os efeitos da revolução industrial (neste período, os trabalhadores tinham uma jornada diária de 14 a 16 horas de trabalho) Padre Anizan, pede para entrar nos Irmãos de São Vicente de Paulo, devido à proximidade destes religiosos com o povo simples e trabalhador. Primeiramente atuando como missionário, depois será eleito Superior Geral da Congregação dos Irmãos de São Vicente de Paulo. Com o passar dos anos, visitando estas famílias ele reúne grupos de trabalhadores. Estava preocupado com a vida deles. Em 1891 o papa Leão XIII escreve uma carta ao povo cristão (chamada do título em latim “Rerum Novarum” denunciando a triste situação dos operários. O padre Anizan aproxima-se dos mais sofridos, contudo, ele será duramente criticado pelas elites e inclusive por setores de dentro da Igreja. Padre Anizan é acusado de “modernismo social” (expressão da época que pode corresponder a nossa palavra: ”comunista”). O padre Anizan foi deposto de seu cargo de Superior Geral e proibido de exercer o seu ministério sacerdotal em Paris. Ele se oferece como capelão militar voluntário atuando no meio dos soldados em agosto de 1914 (início da 1ª guerra mundial). Dentro do coração dele surge um grande desejo: “Se tivesse padres totalmente consagrados a este povo, imitando Jesus Bom Pastor”? A idéia torna-se projeto e quando o Papa Bento XV assume a responsabilidade da Igreja Católica, padre Anizan resolve ir à Roma expor o seu sonho. Não somente o Papa aprova, mas incentiva-o e escolhe o nome da futura Congregação: “Filhos da Caridade” – “Filhos do Deus-Amor”. E assim nasce a Congregação “Filhos da Caridade” no dia de Natal de 1918, logo após o término da guerra. Surge na Igreja uma nova família religiosa consagrada à evangelização do mundo do trabalho.

PARTE 2