História do Centreville

Falta de adaptação levou ocupantes embora

Padre José Mahon, 84 anos, acompanha a história do Centreville desde o início. Ele estava junto com os moradores dois dias após a invasão, e nunca mais saiu.

Mahon lembra que a ocupação aconteceu em dois momentos: 16 de julho de 1982 e 11 de fevereiro de 1983. Sempre ao lado dos ocupantes, ele explica por que restam poucas pessoas no Centreville que participaram da ocupação. “Todas as pessoas saíram de favelas e por vários motivos não se adaptaram às grandes casas do conjunto”, comentou.

No começo da ocupação, todos estavam empolgados com o tamanho das residências. Aos poucos, foram percebendo que manter um casarão não era fácil. “Aquelas pessoas estavam acostumadas aos pequenos barracos, portanto, uma vez dentro das mansões, deixavam muitos cômodos desocupados”, relembra o padre. Os espaços vazios eram vendidos ou alugados. E quando a situação financeira apertava, as famílias voltavam para as favelas.

“Elas aceitavam qualquer dinheiro para deixar as casas. A mudança era rápida: enquanto uma família estava saindo, a outra estava com as coisas na porta da residência. Assim, não corriam o risco de outros ocupantes tomarem a casa”, explica o religioso.

Dessa forma, o bairro passou a acomodar famílias de classe média. A maioria das pessoas que lutou pela ocupação abandonou ou vendeu as casas.

Até mesmo a antiga sede da associação de moradores foi alugada para gente de fora. “Cheguei neste mês de Garanhuns (Pernambuco) e vou tentar a vida em São Paulo”, explica dona Maria Aparecida de Andrade Oliveira, 44. Ela, que paga R$ 400 por mês pelo imóvel, posa na porta de casa, sem saber o significado das inscrições na parede.

Padre Mahon toma conta da Capela Nossa Senhora da Esperança, construída no centro do Centreville.

Fonte: Centreville caminha para a regularização,
por Renan Fonseca, do Diário do Grande ABC