O rio Coina

O rio Coina (afluente da margem esquerda do rio Tejo) ou Ribeira de Coina nasce no Parque Natural da Arrábida, na povoação de Parral (na serra da Arrábida) e desagua, num esteiro com cerca de 6 km, junto ao Barreiro, a jusante de Coina (estuário do Tejo). No seu percurso de cerca de 25 km passa pela localidade de Quinta do Conde, onde recebe a Ribeira de Azeitão.

Antiga ponte sobre o rio Coina

O rio Coina foi desde sempre conhecido por ser um local eleito por aves e peixes para reprodução e berçário. Com a instalação de indústrias poluentes nas suas margens, o ecossistema esteve ameaçado de extinção, contudo, o encerramento das indústrias permitiu que muitas espécies que se julgavam desaparecidas para sempre voltassem a procurar o Sapal de Coina para se reproduzirem ou como pouso temporário para muitas aves migratórias como o flamingo, o alfaiate, o perna-longa, a garça e o pato-bravo, que aqui procuram alimento e abrigo. O Sapal é influenciado pelas marés, sendo formado por uma diversidade de canais anastomosados, de grande hidrodinamismo de marés, que alternam com pequenas elevações de substrato. Este biótopo encontra-se sobre a acção de diversos factores ambientais naturais, como os rápidos fluxos tidais, a constante erosão do substrato lodoso, que contem uma pequena granulometria, que fazem deste um habitat singular e selectivo

O rio de Coina foi um elemento natural importante no desenvolvimento da região, foi ainda associado à indústria naval, porque nas suas margens se construíram as embarcações da época da Expansão Portuguesa (caravelas e naus). As más condições de tempo no Inverno na Ribeira das Naus (em Lisboa), local onde se iniciava a construção, obrigava a que a conclusão das mesmas fosse feita no estaleiro da Feitoria da Telha. Era também nas areias das margens do rio Coina que se enterravam as madeiras – a zona era muito arborizada na época – destinadas à construção naval.

Nessa época o Rio Coina ainda era navegável, consta até que todos os dias saíam de Coina vários barcos carregados de hortaliças e frutas, como a uva Moscatel, com destino ao mercado de Lisboa. O rio era por vezes utilizado pela Rainha D. Constança, esposa de D. Pedro I, para viajar de barco para a sua residência em Azeitão.